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Aluno que mente pode prejudicar relação com colegas e professores

  • Daniel Neri/UOL

Nesta quarta-feira (1º), as mentiras serão encaradas como brincadeira nas escolas. O dia será dedicado a contar histórias absurdas, mas convincentes, para enganar os outros e fazer piada. Contudo, quando esse tipo de comportamento extrapola o Dia da Mentira e torna-se frequente nos outros dias do ano, pais e professores devem estar atentos para agir de forma correta a fim de inibir o hábito.

Especialistas dizem que até os 6 ou 7 anos, é comum que as crianças contem histórias fantasiosas que, muitas vezes, são encaradas como mentiras pelos adultos. Ter um amigo imaginário, por exemplo, é uma situação que pode ser encarada com naturalidade. Normalmente, isso é descoberto quando a criança diz que passou o dia brincando com um amiguinho X, mas na escola não existe nenhum colega com esse nome.

“É uma fase em que a criança fantasia e usa a criatividade para criar situações. Isso é normal e faz parte do desenvolvimento”, afirma a psicóloga Juliana Boff, coordenadora do ensino integral do Colégio Sion, em Curtiba (PR). “Normalmente, nessa idade, as crianças não sabem diferenciar a fantasia da realidade. É razoavelmente normal mentir sobre coisas mais banais”, explica a psicóloga clínica infantil Clarissa Ribeiro.

No entanto, mesmo nesse período, Clarrisa ressalta a importância de os pais sinalizarem aos filhos o que é verdade e o que é mentira, mostrando o que é certo e o que é errado. “O pai tem de entender que a criança tem seu mecanismo de defesa e precisa saber ouvir o outro lado. É preciso ter sempre atenção a isso e orientar que a verdade é mais importante”, complementa a psicopedagoga Cleide Barbosa Machado, diretora do Colégio Bom Jesus Nossa Senhora de Lourdes, em Curitiba.

Intervenção

A partir dos 6 anos, a realidade passa a ter mais destaque que a fantasia na vida dos pequenos e a tendência é de que essas “mentiras” diminuam. O enganar passa a ser praticado com algum intuito e, quando a prática é recorrente, pais e professores devem estar atentos para verificar a frequência com que a criança mente e o que motiva essa atitude. “Se isso começa a acontecer frequentemente, em diferentes situações, é preciso pontuar e trazer a criança para a realidade”, diz Juliana.

Família e escola podem trabalhar de forma conjunta para tentar identificar o porquê das mentiras e traçar uma estratégia a ser adotada da mesma forma por todos. A mentira pode ser desencadeada por medo ou temor de alguma coisa, dificuldade em desenvolver certa atividade, tentativa de evitar um castigo. Caso não haja mudança de hábito após as intervenções dos adultos, é recomendado que os pais procurem um psicólogo.

O hábito de mentir pode trazer consequências negativas para o desenvolvimento da criança, já que pode afetar a relação de confiança com colegas e professores, prejudicar atividades em equipe, dificultar o entendimento sobre o certo e o errado e internalizar a mentira como algo natural.

Atividade escolar

O Dia da Mentira também pode ser usado para desenvolver atividades nas escolas. No Colégio Bom Jesus Nossa Senhora de Lourdes, depois de muitos “causos” durante o dia, a aula é encerrada com uma reflexão sobre a importância de virtudes como respeito, união, fraternidade, confiança, gratidão e amor. A mentira é colocada diante de cada um desses valores para que os estudantes entendam que a verdade deve prevalecer.

Outra forma de trabalhar com a mentira na sala de aula é resgatar a história de personagens infantis habituados em enganar os outros e que são prejudicados por isso. Entre as obras estão O Menino Maluquinho, Pinocchio e Pedro e o Lobo. “É possível trazer os personagens para dentro do contexto escolar. É preciso sempre trabalhar com a verdade”, afirma Cleide.

Confira dicas para evitar que as crianças mintam:

  • Ouça e dialogue com a criança, trazendo-a para a realidade sem grandes discursos

  • Ressalte a importância da verdade e explique o que é certo e o que é errado

  • Não minta para que o filho não encare isso como um padrão

  • Não incentive a mentira e não finja que acreditou na história contada

  • Mantenha contato com a escola para saber se o comportamento também ocorre em outros lugares

  • Tente entender os motivos e as razões que levam seu filho a mentir

Fonte: Bol.com.br

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