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Conheça crianças que têm duas casas: a do pai e a da mãe

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Duas semanas em uma casa e duas em outra. É assim, em duas residências diferentes, que os irmãos Maria Eduarda, 9, e Rafael Rodrigues, 6, moram.

Isso acontece porque seus pais se separaram em 2008 e, no ano passado, passaram a dividir a guarda das crianças, ou seja, a responsabilidade sobre elas. No final de 2014, uma lei regulamentou a chamada guarda compartilhada.

Com a lei, além de tomar em conjunto as decisões sobre os filhos, pai e mãe devem tentar estar igualmente presentes na rotina deles. Às vezes isso inclui fazer com que as crianças morem parte do tempo com o pai e outra, com a mãe.

“Não é ruim, pois ficamos perto dos dois”, diz Rafael. “Só que precisamos levar sempre uma mala com roupas”, explica Maria Eduarda.

Atualmente, existem 20 milhões de crianças e jovens de até 17 anos com pais divorciados, segundo a Apase (Associação de Pais e Mães Separados).

Quando um casal não está mais junto, é preciso definir quem terá a guarda dos filhos. Antes, o comum era que só um tivesse essa responsabilidade. Com a guarda compartilhada, isso deve mudar –e crianças terem duas casas pode se tornar cada vez mais comum. De acordo com a Apase, 6,5% dos casais têm hoje guarda compartilhada.

DUAS CASAS

Se, por um lado, há a vantagem de não deixar de conviver com os dois pais, por outro, o vaivém pode gerar desencontros. “Uma vez, não lembravam onde eu dormiria. Fiquei para lá e para cá”, conta Isabella Hermógenes, 8.

O advogado Sidval Oliveira é contra a lei. “Muitos pais separados vivem em conflito. Não adianta impor um acordo, as brigas continuarão.” Para a advogada Luciana Buffara, o importante é que pai e mãe tenham a mesma responsabilidade na vida dos filhos.

Lucia Kaufmann, 6, vive há três anos sob guarda compartilhada e vê apenas um problema em ter duas residências. “Minha mãe mora em casa, é só entrar. Meu pai mora em prédio, demora mais”, diz.

Editoria de Arte/Folhapress
3 dicas para crianças cujos pais se separaram

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LÁ E CÁ
Crianças contam como é morar parte do
tempo com a mãe e outra, com o pai

SEM SAUDADE
Lucia, 6, passa três dias com a mãe e três com o pai. Não dá nem tempo de sentir saudade. “Só senti falta uma vez”, diz. Como moram perto, é normal almoçarem todos juntos no fim de semana. “O lado ruim é que uma vez esqueci um ursinho de pelúcia no meu pai. Queria muito levar para a escola, mas não deu.”

FUTEBOL E ROUPAS
Isabella, 8, comanda a bagunça na casa do pai. Só não pode jogar bola, por causa dos móveis. “Lá gosto de organizar o aniversário das bonecas”, diz. Na casa da mãe, futebol é liberado no quintal. Quanto às roupas, ela tem um guarda-roupa cheio em cada lugar e não precisa se preocupar.

TUDO EM DOBRO
Desde 2014, os irmãos Maria Eduarda, 9, e Rafael, 6, passam duas semanas na casa do pai e duas na da mãe. As regras são iguais nos dois lugares: hora de fazer lição de casa, brincar e dormir. Até a babá vai junto. “Tenho tudo em dobro. Só não gosto da escadaria da casa da mamãe”, diz Maria Eduarda.

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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