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Em carta a amigos, Palocci diz que investem novamente contra sua honra

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O ex-ministro Antonio Palocci enviou nesta segunda-feira (20) uma carta por e-mail a amigos para explicar consultorias prestadas por sua empresa, a Projeto, com três grandes grupos empresariais: Pão de Açucar, JBS e Caoa.

O texto é uma resposta a reportagem da revista Época divulgada no final de semana. Na carta, a que a Folha teve acesso, ele diz que, ”novamente”, um órgão de imprensa ”investe de maneira sensacionalista e espetaculosa contra a minha honra”.

Segundo a “Época”, documentos da firma de consultoria do petista, a Projeto, revelam que seu enriquecimento coincidiu com o momento em que ele assumiu a coordenação da campanha de Dilma.

Evaristo Sa – 8.jun.2011/AFP
O ex-ministro da Casa Civil, Antonio Palocci
O ex-ministro da Casa Civil, Antonio Palocci

Alvo da Operação Lava Jato, o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil) teria recebido naquele ano, quando coordenou a primeira campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT), ao menos R$ 12 milhões de 30 empresas.

A revista teve acesso à listagem das 30 empresas que teriam feito pagamentos a Palocci, parte de uma investigação sigilosa conduzida pelo Ministério Público Federal.

Uma delas foi o grupo Pão de Açúcar, que pagou R$ 5,5 milhões a Palocci em 2010. O primeiro repasse, de R$ 1 milhão, foi feito pelo escritório do ex-ministro da Justiça no governo Lula, Márcio Thomaz Bastos, morto em 2014.

Segundo Palocci, ”foram prestados serviços técnicos de acompanhamento da aquisição de Casas Bahia, pelo acima nominado conglomerado varejista, trabalho este executado em parceria com o Escritório de Advocacia Márcio Thomaz Bastos”.

A carta diz ainda que a contratação já foi objeto de investigação e obteve do juiz federal de Brasília o arquivamento.

O Ministério Público investiga ainda pagamentos recebidos pelo ex-ministro do frigorífico JBS e da concessionária Caoa, que somaram R$ 6,5 milhões. Segundo a revista, a suspeita do MPF é que o serviço de Palocci não foi entregue e o JBS recebeu um empréstimo do BNDES que facilitou a empresa a buscar negócios no mercado de frangos nos EUA.

O ex-ministro da Casa Civil nega qualquer relação de seu trabalho com o financiamento do BNDES para a JBS.

Sobre a Caoa, ele diz ter feito um serviço técnico e que, se após quatro anos, ”algumas montadoras vieram a obter prorrogação de regime tributário diferenciado do Congresso Nacional”, não há relação com sua contratação.

*

Leia a íntegra da carta:

Caros amigos e amigas,

Mais uma vez peço um pouco de seu tempo.

Novamente um órgão de nossa imprensa investe de maneira sensacionalista e espetaculosa contra a minha honra. Desta feita uma reportagem de capa da revista EPOCA, da edição divulgada em 18/4, misturando assuntos, escondendo fatos conhecidos e manipulando datas, tenta desqualificar as legitimas relações comerciais de minha atividade de consultoria, através da empresa Projeto, com diversas empresas privadas.

Mas não quero recorrer à retórica. Gostaria de esclarecer os fatos narrados pela reportagem e, a bem da verdade, expor o que a revista se recusou a informar, confundindo deliberadamente seus leitores.

Nesse texto jornalístico, tentaram colocar sob suspeita a licitude dos contratos de prestação de serviços técnicos celebrados pela Projeto Ltda. com três grandes grupos empresariais privados nacionais, quais sejam PÃO DE AÇÚCAR, JBS e CAOA, todos firmados há vários anos.

Eis a verdade dos fatos:

1-) GRUPO PÃO DE AÇÚCAR
Conforme documento, subscrito por seu então presidente, constante de antigo expediente do Ministério Público Federal, processado perante Vara Federal de Brasília, foram prestados serviços técnicos de acompanhamento da aquisição de Casas Bahia, pelo acima nominado conglomerado varejista, trabalho este executado em parceria com o Escritório de Advocacia Márcio Thomaz Bastos.
Essa contratação já foi objeto de investigação pelo MPF do Distrito Federal que, nada encontrando de irregular, requereu e obteve do Juiz Federal daquela Capital o ARQUIVAMENTO do feito. O estranho é que a revista Época, que diz ter tido acesso ao referido processo, sabia desse arquivamento e o ocultou de seus leitores.

2-) GRUPO JBS
Os serviços de avaliação da conveniência, de planejamento e de execução da internacionalização do complexo empresarial JBS através da aquisição da maior produtora de proteína animal dos Estados Unidos, a PILGRIMS, foram prestados muito tempo antes de intervir no processo o BNDES. A Projeto não realizou a negociação da aquisição, feita por outras entidades do setor financeiro e jurídico. A Projeto realizou estudo de avaliação da oportunidade do negócio, que enfim foi realizado com sucesso. O trabalho da Projeto não teve qualquer relação com o financiamento do BNDES. Tanto assim que 5 das 6 parcelas dos honorários devidas à Projeto foram pagos muito antes do financiamento. Especificando os trabalhos, há detalhado relatório técnico elaborado por Projeto Ltda., que também se encontra no expediente investigatório a que Época teve acesso e que tramita no Juízo Federal do DF muitos anos faz. Também neste aspecto a matéria preferiu ocultar de seus leitores esse relatório e insinuar, maldosamente, que os serviços podem não ter sido prestados.

3-) GRUPO CAOA
Tratou o serviço técnico prestado de avaliar, esboçar plano de execução de associação com montadora de automóveis, estudar tendências do mercado mundial do setor, oportunidades e estratégias de novos negócios, trabalho este que data de mais de quatro anos atrás.
Se, depois de muitos anos (em 2014), algumas montadoras, inclusive a CAOA, vieram a obter prorrogação de regime tributário diferenciado por decisão do Congresso Nacional, tal circunstância não tem nenhuma relação com o contrato em causa, como insinuou a referida reportagem. Neste caso as distancias são mais gritantes, pois os honorários foram pagos em 2010 e os citados benefícios foram prorrogados 4 anos depois!

Peço desculpas se não me estendo aqui no detalhamento dos trabalhos prestados. Isso porque eles decorrem de contratos com clausulas de sigilo que me obrigo a respeitar. Mas nos autos do apuratório que Época afirma ter tido acesso há toda documentação comprobatória da perfeita regularidade das contratações em questão.

A reportagem informa também que as empresas negaram o trabalho da consultoria Projeto. Pelo que apuramos isso absolutamente não ocorreu. Na verdade as perguntas enviadas pelos jornalistas responsáveis pelo texto falavam sobre outros assuntos, notadamente sobre um suposto inquérito da conhecida operação Lava Jato, que nada tem a ver com os fatos narrados aqui ou mesmo na citada reportagem. Algumas empresas preferiram não comentar sobre seus contratos. Mas isso é diferente de nega-los.

É lamentável que se pratique tamanho acinte contra a verdade, sejam quais forem os propósitos que moveram os autores do referido texto ou os que o encomendaram aos seus subscritores.

Agredeço muito a sua atenção.
Antonio Palocci Filho.

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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