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Estadual de polêmicas: RJ tem mais notas oficiais que jogos no Maracanã

  • Nelson Perez/FFC, Fla Imagem, Divulgação/Vasco e Pedro Ivo Almeida/UOL

    Peter (e) e Bandeira travam duelo nos bastidores com Eurico e Rubens Lopes (d)

    Peter (e) e Bandeira travam duelo nos bastidores com Eurico e Rubens Lopes (d)

Não faltam números no Campeonato Carioca deste ano: são 104 jogos até o momento, 252 gols marcados em 13 rodadas, quase 495 mil presentes nos estádios, entre outros. Mas poucas informações se destacam tanto quanto a quantidade de notas oficiais divulgadas por clubes e federação em uma “disputa” que começou antes mesmo de a bola rolar.

Polêmico desde as primeiras reuniões entre times e Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj), o Estadual 2015 já acumula 27 notas que se dividem entre protestos, ataques e respostas a dirigentes desafetos. A média aponta para mais de duas publicações a cada rodada.

O palco dos ataques é sempre o mesmo: sites oficiais dos clubes e entidades. E num torneio onde o Maracanã é centro de boa parte das discussões entre as partes, o número das já famosas notas oficiais é maior até mesmo que o de jogos no outrora principal local de disputas: 27 x 14 (20, caso todos os jogos finais sejam disputados no estádio).

A briga virtual começou em janeiro, dias antes do início do campeonato. Incomodados com decisões do arbitral sobre preços de ingressos e determinações a respeito de meia entrada e políticas de divisões de renda, Flamengo, Fluminense e Maracanã assinaram um manifesto que defendia melhorias para o futebol carioca e atacava a Ferj.

A entidade não deixou barato e respondeu clubes e concessionária em duas notas seguidas. A divisão ficou clara quando outros clubes endossaram o discurso da Federação, com Botafogo, Vasco e equipes menores se posicionando contra Fla, Flu e Consórcio Maracanã.

Desde então, foram cinco comunicados do Flamengo, além de uma sobre o recurso contra o tabelamento do preço, três do Fluminense, três do Vasco e 12 notas oficiais publicadas no site da Ferj – algumas enviadas por clubes menores. A entidade ainda utilizou do mesmo expediente para esclarecer uma polêmica de arbitragem e uma nota em forma de notícia exaltando a política de ingressos que gerou a polêmica e, segundo a Federação, elevaram o público.

Ainda que de maneira bem mais tímida, o Botafogo também aderiu às notas oficiais. O clube usou a divulgação para responder uma entrevista do presidente do Fluminense, Peter Siemsen, ao jornal Extra. O Vasco fez o mesmo em um de seus comunicados. Em suas declarações, o mandatário tricolor havia criticado um suposto “jogo de cartas marcadas” entre a Ferj e seus aliados.

Pedro Ivo Almeida/UOL

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Explicações
O total de 27 comunicados evidenciou que a briga não era apenas dentro de campo. E os motivos utilizados pelas partes para tentar justificar a enxurrada de notas são as mais diversas, variando desde o tom político do Flamengo até os ataques explícitos da Ferj.

“Não acreditamos que a imprensa seja o fórum de debates entre clubes e federações. Os assuntos deveriam ser tratados entre os pares, na Federação, condomínio dos clubes. Porém, infelizmente, não foi o que se viu. Os filiados, citados, adotaram as notas oficiais como método de inflamar suas torcidas, descentralizar a discussão e tentar fazer valer suas vontades por meio da força e da desinformação. A demanda gerada por essas notas conjuntas nos obrigou a respondermos com o mesmo método. Assim, garantimos que o posicionamento da Ferj fosse publicado na íntegra e sem dar abertura à interpretação. Portanto, a maioria, senão a totalidade, das notas oficiais emitidas pela entidade, foram reativas”, se defendeu a Federação, em contato com a reportagem.

“Lamentamos que presidentes de clubes centenários adotem a beligerância como forma de impor suas vontades, e agridam o processo democrático. Nunca deixamos de acreditar que o diálogo é o caminho para o entendimento, e continuamos na expectativa de que isso possa voltar a acontecer em prol da paz no futebol do nosso estado”, disse a nota assinada pelo “campeão” de notas e presidente da Federação, Rubens Lopes.

Já o Flamengo, segundo colocado no “ranking” das notas e um dos protagonistas da disputa com a Federação, disse fazer “questão de se posicionar contra o que considera arbitrariedades e injustiças sempre que acha coerente e necessário – como no caso da última nota publicada, o da absurda punição ao técnico Vanderlei Luxemburgo”.

No entanto, tal prática pode ser vista como novidade em 2015, já que nos outros dois anos de administração da atual gestão houve um número reduzido de posicionamentos do clube da Gávea.

Mesmo com relações rompidas com a Ferj, o Flamengo evita falar em “guerra” com a entidade. O Conselho Diretor rubro-negro ainda frisou que tais notas não funcionam como bravatas. “Não jogamos para a galera. O que sempre pretendemos, em qualquer forma de divulgação – entre elas as notas oficiais –  é levar nosso posicionamento claro aos sócios, torcedores e à opinião pública em geral”, registrou, em comunicado enviado à reportagem.

Outro “campeão” das notas oficiais, com participação em pelo menos cinco comunicados, o Fluminense foi breve, disse que não considera as notas exageradas, já que usou este recurso apenas para “responder as movimentações tomadas pela Federação”. O clube das Laranjeiras ainda ressaltou que “tudo começou com a Ferj”, que mudou um jogo do Tricolor do Maracanã para Volta Redonda.

Por fim, o Maracanã defendeu as notas que assinou em parceria com Flamengo e Fluminense, defendeu sua posição.

“Começamos assinando um manifesto em defesa do futebol carioca e brasileiro. Não fizemos por acaso, mas sim porque acreditávamos naquilo. Não é uma briga qualquer. Dos cinco pontos levantados [tabelamento de preços, meia-entrada universal, localização de torcidas, descaracterização de mandantes e imposição de prejuízo], debatemos todos e modificamos quatro. Apenas o lado da torcida não avançamos. Mas trocaram o estádio do jogo em questão [Vasco x Fluminense] e tiveram prejuízo. Pensamos no futebol como um todo. Não queremos brigas e estádios vazios. Vamos brigar pelo melhor sempre. Era o momento de se posicionar. Foi bom também para o Maracanã se posicionar como um ente do futebol. Não somos apenas uma casa de espetáculos”, disse o diretor de marketing do Consórcio, Marcelo Frazão.

Mesmo com as discussões, a concessionária ressaltou o fato de estádio e competição terem recebido os dois maiores públicos do futebol brasileiro no ano. “Flamengo x Botafogo [49.8 mil torcedores] e Flamengo x Vasco [56 mil] mostraram que a competição pode, sim, ser boa, se andarmos juntos e ajustarmos os pontos. Debatemos vários pontos e já reduzimos um prejuízo que tivemos em 2014. Queremos avançar com este debate”, encerrou Frazão.

Procurada, a assessoria de imprensa do Vasco da Gama não retornou os contatos da reportagem. O presidente Eurico Miranda, que está fora do país em viagem para resolver dívidas antigas do Cruzmaltino, não foi localizado por telefone para comentar o assunto.

*Colaboraram Rodrigo Paradella e Vinicius Castro

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Fonte: Bol.com.br

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