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EUA: Produtores de café são prejudicados pela revolução das cápsulas

(Bloomberg) – Talvez este seja o avanço mais revolucionário do setor desde que a Starbucks Corp. começou o boom de cafeterias no fim da década de 1980. Talvez seja até o maior avanço desde que Luigi Bezzera patenteou a máquina de café expresso em 1901.

De um modo ou de outro, as máquinas que preparam doses individuais, popularizadas pela Keurig Green Mountain Inc., agora são usadas por mais de um de cada quatro americanos e estão mudando o modo de consumir café. Quase todas as marcas, da Folgers à Dunkin’ Donuts, são vendidas em cápsulas de plástico, de 5 centímetros por 5 centímetros, que rendem apenas uma dose. Elas são mais eficientes do que as cafeteiras tradicionais com capacidade de preparar 10 xícaras, porque uma parte desse café não é consumido e acaba sendo jogado fora.

Embora os americanos continuem tomando mais café do que qualquer outra bebida, à exceção de água, a ampliação do uso de máquinas que preparam doses individuais desacelerou o crescimento da demanda para o mercado de US$ 52 bilhões nos EUA, o maior consumidor do mundo. Isso prejudicou as vendas justo quando os grandes estoques da commodity provocavam uma redução dos preços.

“O mercado de café perdeu seu melhor consumidor: a pia da cozinha”, disse Hernando de la Roche, vice-presidente sênior da INTL FCStone Inc. em Miami. “As empresas de torrefação nos dizem que as doses individuais de café vêm reduzindo a demanda”.

Queda das vendas

O crescimento do consumo nos 12 meses até setembro provavelmente vai desacelerar para 1,8 por cento nos EUA e no Canadá, um recuo em relação ao ganho de 4 por cento no ano anterior, disse Kona Haque, diretora de pesquisa sobre commodities da ED&F Man em Londres.

Cerca de 27 por cento dos consumidores nos EUA possuem máquinas que preparam doses individuais, a maior proporção já registrada, estima a Associação Nacional do Café, com sede em Nova York, a partir de dados de pesquisas. Outros 12 por cento dos participantes disseram que têm planos “concretos” ou “prováveis” para comprar essa máquina.

A Keurig Green Mountain, com sede em Waterbury, Vermont, estima que 20 milhões de suas cafeteiras estão sendo usadas nos EUA e disse que os gastos em café por comprador ultrapassam os de qualquer outra bebida desde 2010 e que suas cápsulas superam em mais de três vezes as bebidas energéticas.

Produto premium

As cápsulas de dose individual equivalem a 12 por cento do café vendido pelas lojas dos EUA, mas representam 36 por cento das vendas totais, de acordo com dados da IRI, empresa de pesquisa com sede em Chicago. Isso se deve a que o quilo do café em cápsula é mais caro do que o do café em grãos ou moído.

De acordo com alguns indicadores, a demanda está diminuindo. As vendas em supermercados, farmácias e outros pontos de venda varejistas, exceto restaurantes e cafeterias, caíram 1,4 por cento nas 52 semanas até 22 de março, estima a IRI. À exceção do café em cápsula, as vendas despencaram em todas as categorias, do café moído ao instantâneo, mostram os dados.

A desaceleração da demanda no maior país consumidor surge no momento em que as chuvas estão melhorando a perspectiva de produção no Brasil, o maior produtor e exportador, após duas temporadas de resultados menores que o normal que abarcaram uma seca sem precedentes em 2014. O café arábica despencou 15 por cento neste ano, para US$ 1,415 a libra, na ICE Futures U.S. em Nova York, mesmo antes de os produtores brasileiros começarem a colheita em maio.

A Volcafe, a unidade de café da ED&F Man, disse em fevereiro que a produção do Brasil vai aumentar de 47 milhões de sacas em 2014 para 49,5 milhões de sacas neste ano. Uma saca pesa 60 quilos, ou 132 libras.

Avanço revolucionário

O setor não via um avanço tão revolucionário desde que a Starbucks começou a se expandir, há quase três décadas, o que ajudou a popularizar a venda de cafés e chás de alta gama em todo o mundo, disse Ric Rhinehart, diretor executivo da Specialty Coffee Association of America em Santa Ana, Califórnia.

A dose individual foi a grande novidade e realmente “deslanchou nos últimos cinco anos com a Keurig”, disse ele. “Acredito que essa categoria vá continuar crescendo, embora a um ritmo mais lento”.

Título em inglês: ‘The Coffee Revolution Is Just Too Efficient for Hurting Farmers’

Para entrar em contato com os repórteres: Luzi Ann Javier, em Nova York, ljavier@bloomberg.net

Fonte: Bol.com.br

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