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EUA veem crise na Venezuela como chance de influenciar América Latina

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Os EUA aproveitam a derrocada econômica da Venezuela e o enfraquecimento da “petrodiplomacia” venezuelana para recuperar influência na América Latina.

A “segurança energética” da América Latina, especificamente da América Central e do Caribe, é tema de todas as mensagens do governo americano.

“Há grande preocupação com a crise econômica que afeta a Venezuela atualmente e o potencial impacto sobre países que se beneficiam da Petrocaribe e sobre países vizinhos”, disse durante uma entrevista na terça-feira (7) Ricardo Zuñiga, diretor de Hemisfério Ocidental no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.

Jonathan Ernst/Reuters
Presidente dos EUA, Barack Obama (dir.), é recebido pela premiê da Jamaica, Portia Simpson Miller
Presidente dos EUA, Barack Obama (dir.), é recebido pela premiê da Jamaica, Portia Simpson Miller

No ano passado, os EUA criaram a Iniciativa para segurança energética do Caribe e, em janeiro, a Casa Branca promoveu a Cúpula de Segurança Energética do Caribe.

Sobre a mesa, ofertas de financiamento para diversificação de fontes de energia e para reduzir a dependência do combustível fóssil fornecido pela Venezuela por meio da Petrocaribe, esquema que fornece petróleo subsidiado a 17 países da região —além dos caribenhos, Nicarágua e Haiti.

O presidente Barack Obama foi à Jamaica, sua primeira parada no tour regional que inclui a Cúpula das Américas no Panamá, acompanhado do secretário de Energia, Ernest Moniz.

A Petrocaribe, criada em 2005 pelo ex-presidente Hugo Chávez, foi abraçada entusiaticamente por países do Caribe, que sofriam com os altos preços do combustível.

Por meio do esquema, Caracas fornece petróleo e diesel a preço de mercado, mas permite que os países paguem apenas uma parcela pequena à vista e financiem o resto em longo prazo, com juros baixos, ou troquem por produtos agrícolas.

Com isso, sobrava caixa para esses países investirem em infraestrutura, e a Venezuela ganhava influência na região.

“A Cúpula das Américas ocorre em meio à desaceleração dos países da região e escândalos de corrupção —é o momento em que saberemos se a América Latina vai continuar reduzindo a pobreza ou se vai estagnar”, disse à Folha Michael Shifter, presidente do Diálogo Interamericano.

“Os EUA estão em uma situação econômica melhor e estão bem posicionados para atuar enquanto a Petrocaribe se desfaz.”

Para os EUA, ajudar os países da América Central e Caribe a se livrarem da dependência do petróleo venezuelano é uma questão de importância geopolítica.

Com a crise econômica, um número recorde de imigrantes ilegais desses países está chegando aos EUA, principalmente crianças. O governo americano estabeleceu um programa de US$ 1 bilhão para a região para ajudar esses países.

O presidente Nicolás Maduro garante que a Petrocraribe é estratégica e vai continuar.

Mas o efeito da queda do preço do petróleo sobre a economia venezuelana, altamente dependente de exportações da commodity, pode exigir que o país aumente suas vendas de combustível para a China para conseguir pagar dívidas.

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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