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Fuzilados na Indonésia optaram por não usar vendas nos olhos

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Os oito condenados à morte por tráfico de drogas fuzilados na Indonésia nesta quarta-feira (29) faleceram com “força e dignidade”, encarando seus carrascos e entoando cânticos religiosos, entre eles “Amazing Grace”, explicou uma testemunha da execução.

Além do brasileiro Rodrigo Muxfeldt Gularte, 42, foram executados um indonésio, dois cidadãos da Austrália e quatro da Nigéria. Uma filipina, que também estava na lista, escapou da execução minutos antes.

Os condenados fizeram uma longa viagem desde sua prisão, situada na ilha de Nusakambangan, em Cilacap, no interior da Indonésia, até uma clareira feita na floresta, onde eles foram fuzilados por volta de 0h30, tarde desta terça-feira (28) no Brasil.

Mas em vez de baixar a cabeça em sinal de derrota e resignação, todos negaram-se a colocar uma venda nos olhos e entoaram cânticos religiosos, entre eles “Amazing Grace”, até que o pelotão começou a disparar.

Christie Buckingham, a pastora que acompanhou um dos australianos em seus últimos momentos, explicou ao marido que os condenados se comportaram “com força e dignidade até o fim”.

“Disse que os oito saíram ao campo de execução entoando cânticos de louvor”, explicou Rob Buckingham à rádio australiana 3AW.

Brasileiro é fuzilado na Indonésia

EXECUÇÃO

Na cidade portuária de Cilacap, de onde se chega à ilha de Nusakambangan, um pequeno grupo de pessoas havia se reunido com velas pouco antes da execução, cantando também “Amazing Grace” e cobrindo os prantos dos que pensavam no que estava prestes a acontecer na selva.

“Não tenham medo, não há nada a temer”, disse Owen Pomana, um ex-presidiário e amigo dos condenados australianos Andrew Chan e Myuran Sukumaran, tentando levantar o ânimo dos presentes.

Pouco depois, na ilha, os oito condenados à morte foram atados a um poste e executados por um pelotão formado por 12 homens. Ao amanhecer seus corpos foram devolvidos a Cilacap dentro de caixões.

Os familiares seguiam chorando enquanto seus amigos e as pessoas que se dirigiram à cidade portuária para dar apoio ajudavam a iniciar a longa viagem de retorno para casa junto com seus entes queridos.

A família e os amigos da filipina Mary Jane Veloso, por sua vez, choravam de alegria, depois que ela foi poupada na última hora. Harold Toledano, um padre filipino que acompanhava a família de Veloso, explicou que estavam rezando quando o anúncio com a boa notícia foi dado.

“Isso é um milagre!”, gritou enquanto os advogados comemoravam a boa nova. “É como uma ressurreição, está viva”, disse.

Para os familiares dos dois australianos não houve consolo e perderam seus filhos e irmãos depois de terem tentado de tudo para evitar a execução. “Pedimos clemência, mas não a deram. Estamos muito agradecidos por todo o apoio que recebemos”, disseram as famílias em um comunicado após as execuções.

Pouco depois chegava ao porto de Cilacap o corpo do indonésio Zainal Abidin, que foi enterrado em um cemitério próximo.

Editoria de arte/Folhapress

CORPO DE RODRIGO GULARTE

Angelita Muxfeldt, prima do brasileiro Rodrigo Gularte, chorava desolada enquanto um padre, Charlie Burrows, abria caminho entre a multidão. O corpo do brasileiro chegou no início da tarde desta quarta-feira (29), hora local, ao hospital São Carolus, em Jacarta, capital do país.

A ambulância com o caixão branco que carregava o corpo veio direto da ilha de Nusakambangan.

Recrutado por um traficante de drogas, o paranaense foi preso em 2004 ao tentar entrar no aeroporto do país com seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surfe.

Na ocasião, ele estava com dois brasileiros. Mas Gularte assumiu que a droga era toda dele, e os amigos foram liberados pelos indonésios. No ano seguinte veio a condenação à pena de morte, da qual fracassaram todos os recursos e pedidos por clemência, tanto da família dele como do governo brasileiro.

Gularte foi o segundo brasileiro executado no exterior em tempos de paz. Em janeiro deste ano, o traficante Marco Archer Cardoso Moreira, 53, também foi fuzilado nessa mesma ilha indonésia, a 400 km da capital Jacarta.

Supri/Reuters
Oficial indonésio com as pranchas onde Rodrigo levava drogas em 2004
Oficial indonésio com pranchas onde Gularte levava drogas; ele foi executado pelo crime de 2004

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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