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Garis que fizeram greve no Rio são demitidos por "justa causa"

Garis do Rio de Janeiro que lideraram ou participaram da greve deflagrada pela categoria no mês passado foram demitidos pela Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) nesta terça (28) e nesta quarta-feira (29). De acordo com os funcionários dispensados, por justa causa, cerca de 50 garis receberam cartas de demissão até o momento. Procurada pela reportagem, a Comlurb enviou nota oficial, mas não informou quantos funcionários foram desligados da empresa. O UOL enviou novo questionamento, mas até o momento não obteve resposta.

O movimento grevista foi encerrado no dia 20 de março, oito dias após o início da paralisação, após reunião no MPT (Ministério Público do Trabalho). Os trabalhadores aceitaram receber 8% de aumento salarial, auxílio-funeral de R$ 800 e vale-alimentação de R$ 20. No encontro, foi decidido que os dias de trabalho perdidos seriam repostos e que nenhum dos líderes do movimento seria demitido.

De acordo com Bruno Coelho da Lima, o Bruno da Rosa, um dos líderes da comissão de greve, os demitidos já entraram com uma ação na Justiça para tentar reverter as demissões. “Foi uma decisão de caráter político. Estão criminalizando um movimento de greve. Também estamos fazendo um abaixo-assinado pedindo a reintegração”, afirmou.

Segundo Bruno, no momento da demissão, o gerente que lhe entregou o documento da rescisão de contrato afirmou que a demissão era uma determição do prefeito Eduardo Paes e do presidente da Comlurb. A assessoria de imprensa da prefeitura negou a informação.

Em nota, a Comlurb informou que tem mais de 20.000 empregados, “entre garis, técnicos, administrativos e profissionais de nível superior” e que “desliga empregados com base na legislação trabalhista e por critérios de avaliação próprios”. “Em 2015, tivemos até o dia 10 de abril 115 desligamentos, sendo 41 por justa causa,  destes 10 eram cargos de confiança, 33 a pedido e 19 por falecimento. Estas novas demissões seguem esses critérios, sejam por justa causa ou por baixo desempenho”, informou a companhia.

No comunicado de demissão recebido por Bruno, assim como por outros representantes do movimento grevista, a Comlurb citou que o funcionário se ausentou sem justificativa em ao menos sete oportunidade no mês de março e que os grevistas desrespeitaram decisão judicial do TRT (Tribunal Regional do Trabalho), que declarou liminarmente a abusividade e a ilegalidade da greve. Disse ainda que o empregado “comandou, incentivou e participou de piquetes e ações para coagir e forçar os demais empregados a aderir à greve ilegal”. Bruno nega.

Os garis do Rio já haviam entrado em greve durante o Carnaval do ano passado. Com o acordo obtido na época, os garis passaram de um salário base de R$ 802,57 para R$ 1.100, um aumento de 37%.

Fonte: Bol.com.br

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