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Iêmen tem novos combates enquanto aguarda ajuda humanitária

Adem, 19 Abr 2015 (AFP) – Os combates entre rebeldes xiitas huthis e partidários do presidente do Iêmen, Abd Rabo Mansour Hadi, que têm o apoio da aviação saudita, prosseguiam neste domingo em várias cidades do sul do país, à espera da ajuda humanitária prometida por Riad.

Os últimos confrontos e ataques aéreos mataram pelo menos 85 pessoas em menos de 24 horas, de acordo com um balanço divulgado neste domingo.

Os confrontos mais sangrentos aconteceram na cidade de Dhaleh, onde 31 huthis e 17 de seus oponentes foram mortos, disse à AFP uma autoridade da província.

Outros confrontos ocorreram em Áden, segunda maior cidade do Iêmen, e em Taez, uma cidade no sudoeste onde os huthis acabam de abrir uma nova frente.

Dez huthis e quatro membros dos “comitês populares” (grupos paramilitares favoráveis a Abd Rabo Mansour Hadi) morreram nesta cidade.

Os “comitês” lutam ao lado de soldados da Brigada 35, leal ao presidente Hadi. Eles também têm o apoio da aviação da coalizão liderada pela Arábia Saudita, que segundo os moradores bombardearam várias áreas rebeldes ao amanhecer.

Os rebeldes huthis não conseguiram ganhar Taez, a terceira maior cidade, cujo controle é de importância estratégica para os insurgentes, que também não conseguiram acabar com seus oponentes em Áden, no sul.

Os huthis, apoiados pelo Irã, entraram em Sanaa, a capital, em setembro de 2014, quando tomaram o poder com a cumplicidade do ex-presidente do Iêmen Ali Abdullah Saleh, antes de iniciar, em março, a ofensiva para o sul do país, onde se concentram os fiéis ao presidente Hadi.

– Reforços huthis -Reforços huthis chegaram por via terrestre às cidades de Hodeida (oeste) e Ibb (centro).

Em Ataq, capital da província de Chabwa (sul), sete huthis morreram em um ataque de homens armados de tribos sunitas da região, segundo fontes tribais.

Em Al Said, uma cidade na mesma província, três supostos membros da Al-Qaeda foram mortos em um ataque de um drone dos Estados Unidos, disse um chefe tribal.

Em Dhaleh, 17 huthis morreram em ataques aéreos e seis paramilitares em combate, de acordo com fontes militares e locais.

Em Áden, a principal cidade do sul, os combates entre huthis e as forças paramilitares continuaram durante a noite nos distritos de Dar Saad, Crater e Khor Maksar, matando onze rebeldes e cinco paramilitares, disseram fontes militares.

Os paramilitares apreenderam uma resistência do presidente Hadi e a sede do consulado da Rússia, que estavam em poder dos huthis, segundo as mesmas fontes.

O líder dos rebeldes xiitas, Abdel Malek al Huthi, afirmou neste domingo que seu grupo resistirá à “agressão” da Arábia Saudita por meio da campanha aérea iniciada há três semanas.

“Nosso povo iemenita jamais cederá à esta agressão selvagem” dos sauditas, declarou Huthi em discurso transmitido pela TV. O regime saudita “não tem o direito de intervir nos assuntos” do Iêmen, do mesmo modo que a ONU.

Após um apelo da ONU para uma ajuda humanitária internacional, a Arábia Saudita prometeu no sábado arcar com todos os custos das operações humanitárias de emergência, no valor de 274 milhões de dólares.

A operação deve ser massiva, levando em conta as necessidades da população do Iêmen, o mais pobre da península arábica.

O porta-voz da coalizão liderada pela Arábia Saudita, general Ahmed Asiri, prometeu lançar nos próximos dias uma ponte marítima para o encaminhamento da ajuda.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os recentes confrontos no Iêmen deixaram 767 mortos e 2.906 feridos. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) lamenta a falta de medicamentos, alimentos e combustível para o Iêmen.

Entre 120.000 e 150.000 pessoas foram deslocadas dentro do Iêmen por conta do conflito, que se somam às mais de 300.000 pessoas deslocadas antes da crise atual, afirmou Adrian Edwards, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).

Fonte: Bol.com.br

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