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Iniciativas locais e da sociedade fazem avançar combate à mudança climática, dizem especialistas

Por Laurie Goering

OXFORD, Inglaterra (Thomson Reuters Foundation) – É improvável que um novo acordo sobre o clima este ano inclua dinheiro ou cortes de emissões suficientes para serem eficazes, mas uma onda de iniciativas fora do âmbito dos governos poderia conduzir a uma abordagem mais ambiciosa para combater as alterações climáticas, de acordo com especialistas.

Empresas e cidades estão adotando formas inovadoras para lidar com o aquecimento global, como a tecnologia para melhorar o custo-benefício do armazenamento e transmissão de energia solar e um impulso por parte de empresas para acabar com o desmatamento em suas cadeias de suprimentos.

Isso as deixa em uma posição de exigir mais dos políticos, dizem os especialistas.

“Estão aumentando as iniciativas para adoção de medidas”, declarou Tasso Azevedo, ex-diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro e, agora, um empreendedor social, durante o Fórum Mundial Skoll de Empreendedorismo Social.

Azevedo disse que até agora “vinha sendo fácil para os governos ficar paralisados” entre a pressão de ambientalistas para fazer mais sobre as alterações climáticas e as advertências do mundo dos negócios de que essas medidas poderiam prejudicar a economia, mas a maré está mudando.

Na semana passada, prefeitos e outros líderes de 35 cidades ao redor do mundo, incluindo Johanesburgo, Melbourne, Seul e Paris, concordaram em assumir compromissos para reduzir suas emissões relacionadas às mudança de clima e acompanhar essas medidas.

O representante especial para a mudança climática no Ministério de Relações Exteriores britânico, David King, previu que haveria energia renovável, armazenamento de energia solar e redes inteligentes em partes ensolaradas do mundo até 2020, à medida que os custos e as barreiras tecnológicas diminuem.

De acordo com um balanço recente da ONU, o investimento em energia verde global superou 270 bilhões de dólares no ano passado, um salto de cerca de 17 por cento em relação a 2013.

A ex-presidente da Irlanda Mary Robinson, que dirige uma fundação focada em questões de “justiça climática”, disse que a expectativa é que as ações não-governamentais se tornem um pilar fundamental dos esforços para o avanço nas negociações climáticas da ONU, em dezembro, em Paris.

Ela espera que tal ação se desenrole ao lado de um novo acordo climático global, compromissos nacionais por parte dos governos, e as promessas de financiamento para ajudar os países pobres a gerenciar crescentes riscos climáticos e se desenvolverem de forma limpa.

Um impulso adicional pode vir de um novo conjunto de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável Internacional, que devem ser aprovados em setembro, em Nova York, com 12 de suas 17 metas propostas relacionadas às mudanças climáticas.

Ao contrário dos atuais Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que incidem sobre a redução da pobreza e a satisfação das necessidades básicas nos países pobres, as novas metas serão aplicadas a todos os países e são susceptíveis de incluir o consumo mais sustentável em todo o mundo.

Os objetivos entrarão em vigor em 2016, bem à frente do novo pacto de mudança climática, que começa em 2020, observou Mary.

“Nenhum país no momento tem desenvolvimento sustentável, nenhum país”, disse ela. “Todos nós podemos começar a aprender uns com os outros.”

Fonte: Bol.com.br

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