Médium que ama guerrilheiro morto em ditadura fictícia é tema de peça

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A parceria entre a Velha Companhia e o dramaturgo José Sanchis Sinisterra começou com “Ay, Carmela!” (2008), montagem do grupo para texto do autor espanhol.

Do encontro, surge agora “Valéria e os Pássaros”, texto de Sinisterra que o coletivo apresenta em São Paulo depois do sucesso de “Cais ou da Indiferença das Embarcações” (2012), vencedor dos Prêmios APCA e Shell-SP de melhor autor (Kiko Marques).

A história de Valéria (Alejandra Sampaio) tem como pano de fundo uma sociedade repressora e ditatorial. Para não sofrer, ela tenta fugir da realidade, arranja um emprego banal e um amor impossível: ela é apaixonada por um guerrilheiro, que já morreu.

Assim, como uma médium, ela busca seu amor no mundo dos mortos, onde é pressionada a voltar à dura realidade política em que vive.

Escrita como um monólogo, a obra foi transformada em uma peça para 11 atores: esses fantasmas (que no texto original seriam vozes gravadas) são representados por atores em cadeiras de rodas. “Eles não pisam o mesmo chão que Valéria”, diz Marques, que dirige a montagem.

Johnatan Petrassi/Divulgação
As atrizes Alejandra Sampaio e Valéria Arbex (de costas) em cena da peça 'Valéria e os Pássaros', da Velha Companhia
Alejandra Sampaio e Valéria Arbex (de costas) em cena de ‘Valéria e os Pássaros’, da Velha Companhia

Meia hora antes de cada sessão, o público poderá entrar na sala de espetáculos, quando os atores irão recitar poemas de nomes como Maiakóvski e Drummond.

Essa espécie de prólogo não é ensaiada, muda a cada apresentação, explica Marques, e faz referências às cenas finais da montagem.

O projeto de pesquisa de “Valéria e os Pássaros”, sobre ditadura e repressão, também dará origem ao novo trabalho da companhia, que deve estrear no próximo ano com o nome “Cecília”.

A montagem irá tratar de um personagem nascido, no início do regime militar brasileiro, em uma família ligada à repressão. Anos mais tarde, ele retorna à sua cidade como um transgênero e sofre com a falta de aceitação de seus próximos.

VALÉRIA E OS PÁSSAROS
QUANDO seg. e ter., às 20h; até 14/7
ONDE Oficina Cultural Oswald de Andrade, r. Três Rios, 363, tel. (11) 3221-5558
QUANTO grátis
CLASSIFICAÇÃO 12 anos

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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