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Morte de menino: Laudo de necrópsia aumenta suspeita de que tiro partiu de PMs

Rio – O laudo de necropsia do pequeno Eduardo de Jesus, de 10 anos, entregue nesta terça-feira à polícia, traz indicações de que a criança, morta no Complexo do Alemão, foi atingida por um disparo de grosso calibre. Como em depoimento os policiais afirmam ter atirado apenas com fuzis, o documento reforça a suspeita de que o tiro tenha partido dos PMs.

“Arrecadamos cápsulas de pistola e fuzil no local. Mas isso não quer dizer que não estamos apurando uma possível alteração da cena do crime”, informou o delegado titular da DH, Rivaldo Barbosa.Na Divisão de Homicídios (DH) da Capital, que investiga o caso, os PMs contaram que pelo menos sete policiais do Choque e outros quatro da UPP patrulhavam a região conhecida como Areal, na tarde de quarta-feira passada, dia em que Eduardo foi atingido. A ordem era para que eles pernoitassem na região. No entanto, ao passarem pela escada, os policiais, que eram conduzidos pela equipe de pacificação, teriam sido recebidos a tiros por pelo menos dois bandidos.


Cabine blindada foi instalada na Nova brasília nesta terça-feira em caráter de emergência

Foto:  Divulgação

Um policial da UPP afirmou que um colega chegou a cair e foi socorrido, momento em que foram feitos revides de fuzil. Agentes da DH ainda tentam confirmar a hipótese do confronto. No local, foram recolhidas cápsulas de fuzil e pistola, mas não foi encontrado nenhum projétil. As reconstituições das mortes de Eduardo e de Elizabeth de Moura Francisco estão marcadas para a quinta-feira da próxima semana.

Nova Brasília recebeu cabine blindada

O Campo da Torre, na Nova Brasília, recebeu nesta terça-feira uma cabine blindada do Alemão, instalada em caráter de emergência. O local tem acesso a quatro vias importantes do Complexo. Outro ponto de fortificação foi montado no Largo da Alvorada, na divisa entre Nova Brasília e Fazendinha. As ações fazem parte do que a polícia está chamando de “realinhamento estratégico e operacional” das UPPs.

Desde a última quinta-feira, a Polícia Militar segue com ações nas 15 favelas do Complexo. Além dos 1.230 policiais das quatro UPPs da região (Adeus/Nova Baiana, Fazendinha, Nova Brasília e Alemão), mais 300 homens dos batalhões de Operações Especiais (Bope), de Choque e de Ações com Cães (BAC) — com apoio ainda do Grupamento Aéreo Móvel (GAM) — fazem incursões diárias no local.

No início da tarde, mais um fuzil foi apreendido na Nova Brasília — o 110º este ano. A arma, calibre 7.62, e mais munições, 149 pedras de crack, meio quilo de pasta base de cocaína e cerca de 250 gramas de cocaína estava em uma casa na comunidade e os policiais chegaram ao local após terem recebido denúncias de moradores. Não houve prisões.

De acordo com a CPP, a polícia trabalha num ‘remapeamento’ da área. Segundo o comando da UPP, desde a ocupação da região, os criminosos modificaram a forma e os locais de ação. A intenção da PM é identificar os novos pontos da ação de bandidos.


“Entramos com nossas forças especiais. O cenário no Alemão é diferente do que percebemos na implantação do processo de pacificação, em 2010. Um dos fatores é a readaptação do tráfico. O crime muda de acordo com o momento político, econômico e social. Nossa ideia é reordenar o Complexo do Alemão”, disse o comandante-geral da PM, coronel Alberto Pinheiro Neto.


Eduardo Ferreira estava sentado com o caderno escolar na porta de casa quando foi atingido

Foto:  Reprodução

Nesta terça, 60 policiais da UPP Nova Brasília voltaram às aulas para reciclagem. O objetivo é aperfeiçoar técnicas de abordagem a suspeitos e de patrulhamento em vielas e becos, além de instruções de tiro. A cada semana, um novo grupo fará o curso.

O governador Luiz Fernando Pezão reafirmou ontem que a construção das bases definitivas das UPPs não aguardará licitação. “A emergência não pode ser só para quando tem desastre natural, a questão da segurança é uma emergência”, disse. O governador espera que em poucos meses as bases defintivas estejam construídas. “Em 30, 60, 90 dias, quero entregar essas bases que faltam”.

Corregedoria apura ameaças a fotógrafo

A Corregedoria da Polícia Militar abriu Procedimento Apuratório para investigar ameaças virtuais sofridas pelo fotógrafo Fabiano Rocha, do Jornal ‘Extra’. O profissional e seus parentes passaram a receber ameaças e graves ofensas nas redes sociais Facebook (através do perfil PMERJ) e WhatsApp, por ter sido autor da foto que ilustrou a capa da edição de terça-feira de seu veículo, mostrando um PM do Batalhão de Operações Especiais (Bope) usando touca ninja numa ação no Complexo do Alemão. Uma portaria de 1995 proíbe o uso de máscaras ou toucas em operações policiais no Rio.

A Secretaria de Segurança já identificou perfis nos quais foram postadas as mensagens. O secretário José Mariano Beltrame determinou que a Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) analise as postagens e exigiu a punição de seus autores.

O departamento jurídico do Grupo Globo, ao qual o ‘Extra’ pertence, informou que “está tomando medidas cabíveis”. Em nota, o Sindicato dos Jornalistas repudiou a exposição e ameaça à vida do fotógrafo, lamentando ainda que as elas tenham sido feitas justamente no Dia do Jornalista.

‘O DIA ESTÁ DE PARABÉNS PELO FÓRUM’, DIZ ADILSON PIRES

Vice-prefeito do Rio, morador da Vila Aliança, Adilson Pires entende de favela. Presença confirmada no Fórum ‘Alemão, soluções para a crise’, amanhã no Iser, ele defendeu o debate como principal instrumento contra a violência. E parabenizou a iniciativa do DIA
.

1. O que achou da iniciativa do DIA?

—Muito importante. Os veículos de comunicação precisam denunciar, mas também entender que devem oferecer alternativas a quadros como este que vivemos no Alemão. O DIA
está de parabéns.

2. O que levou o Alemão a esta situação?

— É preciso entender que moradores das comundiades querem ser protagonistas, e as pessoas têm dificuldade de aceitar que elas precisam ser ouvidas. Não se pode estabelecer regras sem ouvir a comunidade.

3. Qual seria a solução?

— É fundamental construir mecanismos de diálogo permanente entre polícia, governo e sociedade civil. Por isto vejo esta oportunidade que o DIA
está dando como algo muito importante.

4. E a invasão social, ela existe?

— Sim, é um conjunto de políticas públicas que a prefeitura tem levado a cabo com hospitais, escolas e atividades esportivas. A presença da prefeitura é muito boa nas favelas.

Originalmente matéria publicada no Jornal O Dia (http://odia.ig.com.br)

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