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Museu expõe caldeirão cultural dos EUA

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Quando o Museu Whitney de Arte Norte-Americana inaugurar seu novo prédio no Meatpacking District de Manhattan, em 1° de maio, é certo que o público notará de cara suas grandiosidades: a vista arrebatadora a oeste do rio Hudson; as silhuetas românticas das torres de água de Manhattan; os quatro terraços externos para apresentações de esculturas, espetáculos e exibições de filmes e o perfil em camadas dos painéis de aço de sua fachada, reminiscente do prédio modernista, revestido de granito, de Marcel Breuer na Avenida Madison, que serviu de sede para a instituição desde 1966.

A nova casa, projetada pelo arquiteto italiano Renzo Piano, oferece 4.650 metros quadrados de galerias livres de colunas estruturais. “O grande diferencial daqui é o espaço”, disse Donna De Salvo, principal curadora do Whitney.

Na sede antiga, somente o quinto andar -718 metros quadrados- era reservado para a coleção permanente. Agora são 1.900 m2 dedicados aos pertences, que passaram de duas mil obras, há 49 anos, para 22 mil.
Embora o Whitney se autodenomine um “museu de arte norte-americana”, durante a maior parte de sua existência, ele nunca definiu exatamente o que isso significava.

Todo o espaço da nova galeria será dedicado à busca da alma dessa vertente por meio da apresentação mais detalhada já organizada de sua coleção.

Além das obras que são sua marca registrada -“Circus”, de Alexander Calder; “Early Sunday Morning”, de Edward Hopper; “Garrafas Verdes de Coca-Cola”, de Andy Warhol; “Summer Days”, de Georgia O’Keeffe e “Three Flags”, de Jasper Johns- a exibição inaugural incluirá muitas das categorias que o museu procurou reforçar nos últimos anos.

Serão exibidos mais filmes e vídeos de gerações mais jovens de artistas, como Cory Arcangel e Paul Chan. Haverá também mais artistas das minorias, mais mulheres, uma coleção mais abrangente de fotografias pré-guerra e mais exemplos de coletivos artísticos como a Asco, de Los Angeles.

Além do prédio de US$ 422 milhões e a riqueza da exibição de seu acervo, há um pequeno detalhe que revela muito sobre a visão do museu: as etiquetas nas paredes, que informarão o local de nascimento e morte do artista.

“Embora o pessoal sempre tenha assumido que o Whitney é um museu de arte norte-americana, estamos tentando mostrar, de uma forma mais concreta, que a origem do artista sempre deve ser deixada em aberto. Além do mais, os EUA é um país de imigrantes e a imigração é uma das questões mais controversas da atualidade”, diz o curador Scott Rothkopf.

Há 85 anos, quando a herdeira e escultora Gertrude Vanderbilt Whitney fundou a instituição, a noção do que poderia ser chamado de arte norte-americana era tão ambígua quanto atualmente.

Em 1931, para marcar a inauguração da primeira sede do museu, na Eighth Street, em Greenwich Village, o jornal “The New York Times” elogiou o que chamou de “filosofia flexível na determinação da aquisição das obras de arte”, acrescentando que “não foi feita nenhuma tentativa de aplicar regras definidas na classificação da arte considerada norte-americana”.

Rothkopf disse: “Ainda é um cadinho cultural de artistas que ou nasceram aqui ou viveram e trabalharam nos EUA durante um tempo considerável”.

Mesmo o título da exibição inaugural -“America Is Hard to See” [É Difícil Definir Os EUA], tirado de um poema de 1951 de Robert Frost e um filme de 1970 dirigido por Emile de Antonio sobre a campanha presidencial de 1968 de Eugene McCarthy- reforça a dificuldade dos curadores em decidir o que constitui a arte norte-americana de hoje.

Entre as mais de 650 peças, há tanto exemplos criados no início do século 20 como outros, mais recentes, incluindo trabalhos de artistas que não nasceram no país, mas que ali residem -entre eles, “July 4, 1967”, do conceitualista japonês On Kawara.

Os curadores viajaram o mundo para ver como locais como a Tate de Londres e a Coleção Phillips, de Washington, organizaram seus acervos. Eles também estudaram locais como o Centro Pompidou de Paris para conhecer estratégias de exibição de longos períodos do Modernismo.

“Não queríamos contar uma história muito longa a ponto de parecer um livro dos movimentos canônicos, mas, ao mesmo tempo, queríamos fazer algo mais complexo, acrescentando os artistas que desafiaram a história da arte convencional”, diz Rothkopf.

A seguir, veio um processo rigoroso de edição para a montagem de um novo catálogo, o primeiro desde 2001.

Em vez de colocar apenas uma imagem na capa, o livro traz um mosaico de trabalhos de nomes como Asco, Hopper, Yayoi Kusama, Alice Neel, Jack Goldstein e Peter Hujar.
“Como a própria nova sede do museu, o catálogo pretende refletir o caldeirão cultural que são os EUA e o que representa fazer arte nos dias de hoje”, explica Dana Miller, curadora da coleção permanente.

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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