Obra do Mestre Camarão é celebrada em novo DVD e tributos

Mestre Camarão (esquerda) ao lado do filho, o também sanfoneiro Salatiel. Crédito: Roberto Ramos/DP/D.A Press
Mestre Camarão (esquerda) ao lado do filho, o também sanfoneiro Salatiel. Crédito: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Apesar da carreira de quase 65 anos, Camarão nunca lançou um DVD. A discografia é composta por 18 vinis, seis CDs e quatro 78 rpm. O primeiro, Mestre de um brejo distante, está pronto. Previsto para ser lançado na Passa Disco (Parnamirim), no dia 21 de maio, o projeto foi registrado em show na Cachaçaria Carvalheira, em 2013. Além das imagens da apresentação, há depoimentos de artistas e amigos, como Dominguinhos. Beto Hortis, Thaís Nogueira, Geraldinho Lins, Josildo Sá e o filho, Salatiel, fizeram participações.

Crédito: Divulgação
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Nascido em Fazenda Velha, no município de Brejo da Madre de Deus, o músico faleceu na manhã desta terça-feira (21), aos 74 anos.Segundo informações, Camarão não resistiu a complicações de um problema cardíaco. Ele era o último dos forrozeiros de Pernambuco que tinham o título de patrimônio vivo, ao lado de João Silva e Arlindo dos 8 Baixos, ambos falecidos no ano passado. O apelido veio no início da carreira artística, por meio de Jacinto Silva, apresentador de um programa da Rádio Difusora de Caruaru, ao qual o sanfoneiro chegou atrasado e com o rosto vermelho. “Chegou o camarão”, teria dito o comunicador.
A Banda do Camarão, criada em 1968, é considerada a primeira de forró do Brasil. “Rodou o Brasil inteiro. Os discos são caprichados. Deu outra visão, moderna, e estourou”, avalia o pesquisador Paulo Vanderley. A inserção de instrumentos de metais, violão de sete cordas e a técnica cadenciada no manejo do acordeom foram diferenciais.

O repertório do novo DVD será composto pelas faixas Poesia, Festejos, Mestre de um brejo distante, Fazendo o ferro derreter, Arrastão, Capital do Agreste, Velha companheira, Estrada da vida, O tema é Dominguinhos, Sandro no frevo, Forrozinho, Maxixe com Camarão, Canhoto e Braz, pedacinho do norte.

Tributos

O primeiro tributo será entre os dias 14 e 18 de julho, no Terceiro Festival Internacional de Sanfona, em Juazeiro e Petrolina. “Ele já estava sabendo que seria homenageado e ficou feliz. Participou de todas as edições com o sexteto e dando aulas. Ajudou a desenhar o jeito de tocar dos sanfoneiros”, diz Targino Gondim, ex-aluno e organizador.

Seria atração do aniversário de um ano do Cais do Sertão, no domingo, e voltaria ao projeto Um acordeom na noite, do Nosso Quintal, dia 30, onde fez a última apresentação, em 26 de março. “Ele era a estrela. Estava ótimo. Deixou exemplo”, diz o produtor cultural Marcos Veloso, dono do local. (Com informações de Luiza Maia).

[embedded content] Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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