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'Sherlock Holmes não é gay nem heterossexual', diz criador de 'Sherlock'



02/04/2015 – 18h00



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DE SÃO PAULO

A sexualidade de Sherlock Holmes tem sido debatida há mais de 100 anos – e agora, com uma declaração polêmica dada pelo ator Benedict Cumberbatch, que protagoniza a série “Sherlock”, o assunto voltou à arena de debate público.

Após Cumberbatch dizer o personagem de Doctor Who e Sherlock diferem porque eles têm “um gosto diferente ao escolher o sexo de seus parceiros”, os fãs da série acreditaram ter encontrado a confirmação da homossexualidade do personagem, pelo menos no que diz respeito à versão de “Sherlock”, que traz os personagens da era vitoriana aos dias de hoje.

O co-criador da série Steven Moffat, porém, manifestou-se para desmentir os rumores: “É engraçado quando um personagem tem que dizer por mais de 100 anos ‘eu não gosto nada daquilo’. Ele tem dito isso há 100 anos! Ele não está interessado [em sexo]”, declarou.

Benedict Cumberbatch

Moffat acrescentou ainda que Sherlock quer manter seu cérebro puro. “Mas todo mundo quer acreditar que ele é gay. Ele não é gay. Ele não é heterossexual. E o doutor Watson deixa muito claro que ele prefere mulheres. As pessoas querem fantasiar sobre isso, e não tem problema nenhum, mas não está no seriado”.

ASSEXUAL?

A assexualidade de Sherlock, no entanto, não é nem de longe incontroversa entre os fãs do personagem.

Relações homossexuais entre Sherlock e Watson são recorrentes nas “fanfics” (histórias criadas pelos fãs), por exemplo, ainda que a homossexualidade de Sherlcok não seja uma tese defendida pela crítica literária.

A série britânica constantemente faz referências a esse imaginário dos fãs, com piadas de que Holmes e Watson seriam um casal.

Já o personagem dos livros de Arthur Conan Doyle está mais próximo de um homem heterossexual desinteressado em manter um relacionamento. A sua admiração por Irene Adler em “Um Escândalo na Boêmia”, por exemplo, é descrita pelo narrador Watson como algo próximo de um interesse romântico, ainda que distante de uma paixão:

“Para Sherlock Holmes ela é sempre a mulher. Raramente ouvi ele se referir a ela de outra forma. Nos seus olhos, ela predominava e obscurecia todas as outras de seu sexo. Não é que ele sentisse algo análogo ao amor por Irene Adler. Todas as emoções, e essa particularmente, aborreciam a sua mente fria, precisa e admiravelmente equilibrada”.

Mesmo “sem emoção”, Holmes pediu que seu pagamento por ter resolvido o caso do “escândalo na Boêmia” fosse uma foto de Adler, que é um de seus bens mais estimados.

É justamente Irene Adler a personagem escolhida para ser o par romântico do Sherlock Holmes vivido por Robert Downey Jr. nos filmes “Sherlock Holmes” (2009) e “Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras” (2011), o que significa que o personagem já foi retratado tanto como um herói de ação viril quanto como um personagem distante e assexuado. Para escritores e diretores diferentes, há personagens diferentes.

BENEDICT CUMBERBATCH

Não é a primeira vez que o ator Benedict Cumberbatch fala sobre homossexualidade. Mesmo sendo heterossexual, o ator considera-se simpatizante e já foi até capa da revista “Out!”, voltada ao público LGBT.

Na entrevista a essa revista, feita no fim de 2014, ele também mencionou a sexualidade de Sherlock Holmes: “As pessoas me falam ‘ai, ele é tão sexy’ (…) Mas você não acha que ele é o tipo de pessoa que olha para você, fala na sua cara tudo que você odeia em você mesmo e te amassa como um pedaço de papel antes de te jogar fora? Ele é uma máquina, brutal e sem dó, sem tempo nenhum para distrações afetivas”.

Após terminar de gravar “O Jogo da Imitação”, em que encena o matemático homossexual Alan Turing, Cumberbatch foi um dos que assinaram uma carta aberta ao governo britânico se manifestando contra as condenações criminais que afetaram os homens gays na Inglaterra (um deles sendo o próprio Turing).





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Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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