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'Sonia Silk', que recupera Sganzerla e Bressane, peca no conteúdo

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Para entender o projeto Operação Sonia Silk, é preciso voltar ao começo de 1970, quando Rogério Sganzerla e Júlio Bressane filmaram seis longas em três meses, sob o signo da mítica e efêmera produtora Belair.

Entre os longas está “Copacabana Mon Amour” (1970), dirigido por Sganzerla e protagonizado por Helena Ignez. E sua personagem se chama, justamente, Sonia Silk.

Como forma de homenagear seus ídolos, Bruno Safadi e Ricardo Pretti realizaram três longas com a mesma equipe e pouco mais de uma hora de duração, protagonizados por Leandra Leal e Mariana Ximenes.

Divulgação
 Mariana Ximenes (Esq.), Leandra Leal e Jiddu Pinheiro, em cena do filme "O Uivo da Gaita", do projeto Sonia Silk
Mariana Ximenes (Esq.), Leandra Leal e Jiddu Pinheiro, em cena do filme “O Uivo da Gaita”, do projeto Sonia Silk

O mais arriscado é o primeiro, “O Uivo da Gaita”, de Bruno Safadi. Apresenta composições duras (por vezes incômodas) e narrativa fragmentada. É o mais bressaniano dos três longas, embora essa filiação seja forçada. Acontece menos por continuidade temática do que por imitação de estilo.

Como em “Filme de Amor” (2003), de Bressane, temos um triângulo amoroso entre duas mulheres e um homem. Mas Safadi fica longe de atingir a dimensão filosófica de seu mestre. Impressiona, contudo, como Ximenes e Leal, belas e talentosas, são acariciadas pela câmera.

Em “O Rio nos Pertence”, de Ricardo Pretti, um cartão misterioso leva a personagem de Leandra Leal de volta ao Rio de Janeiro, onde encontra desilusão e desnorteamento (e uma tola atmosfera de horror). O longa, por sinal, reflete essas sensações em sua estrutura.

O filme-súmula da operação é uma obra metalinguística assinada pelos dois diretores e intitulada, apropriadamente, “O Fim de uma Era”.

Filmado em preto e branco e com vozes de Maria Gladys, Helena Ignez, Otávio Terceiro e Fernando Eiras, esse derradeiro longa sofre de um mal frequente: o experimentalismo arbitrário (“tudo é arbitrário”, diz a narração) que tanto incomodava o crítico de arte norte-americano Clement Greenberg (1909-1994).

Não parece haver investigação ou inquietação com o mundo e as coisas. Sentimos apenas a pose de uma suposta ousadia estética. De certo modo, toda a trilogia sofre um pouco desse mal. Mas em “O Fim de uma Era” é mais perceptível. É uma pena, pois a ideia toda, e boa parte de sua execução, tem seu interesse.

SONIA SILK
FILMES DA TRILOGIA

O Uivo da Gata
DIREÇÃO BRUNO SAFADI
PRODUÇÃO BRASIL, 2013, CLASSIFICAÇÃO NÃO INFORMADA
QUANDO estreia nesta quinta (23)

O Rio nos Pertence
PRODUÇÃO: BRASIL, 2013, CLASSIFICAÇÃO NÃO INFORMADA
DIREÇÃO: RICARDO PRETTI
QUANDO: ESTREIA NESTA QUINTA-FEIRA (23)

O Fim de uma Era
QUANDO: ESTREIA NESTA QUINTA-FEIRA (23)
PRODUÇÃO: BRASIL, 2014, CLASSIFICAÇÃO NÃO INFORMADA
DIREÇÃO: BRUNO SAFADI E RICARDO PRETTI

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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