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Artistas se queixam de fim de oficina cultural em Bauru

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Após o fechamento da Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes, em Bauru (a 330 km de São Paulo), artistas da cidade e de outros 45 municípios da região dizem que a cultura local ficou “órfã”.

Como a Folha mostrou em março, o fechamento é reflexo das dificuldades dos governos frente à economia em baixa. Em SP, além de Bauru, outras cinco cidades perderam oficinas –as de Araçatuba, Campinas, Araraquara, São João da Boa Vista e a unidade Luiz Gonzaga, da capital, também foram transferidas para outros locais.

Com quase 25 anos de tradição e a primeira do interior paulista, a oficina de Bauru atendia a cerca de 200 pessoas por mês. O prédio onde funcionava era alugado –R$ 7.000 mensais– e foi desocupado na última quinta (30). Quatro funcionários foram demitidos e um acabou remanejado para Marília.

Em nota, a Secretaria de Estado da Cultura informou que as atividades da oficina estão “integralmente mantidas” em Bauru, mas sem o espaço físico anterior –serão espalhadas por cinco locais cedidos pela prefeitura e por parceiros.

A pasta diz ainda que a oficina em Bauru foi fechada “seguindo critérios técnicos, incluindo a redução de despesas administrativas”. Seu custo anual era de R$ 568 mil.

Apesar de usar um prédio alugado, o governo do Estado estava reformando outro imóvel, originalmente ocupado pela oficina. Após o término da obra –prevista para o final deste ano–, a Secretaria de Estado da Cultura diz que vai reavaliar a situação em Bauru, mas não garante a reabertura. A obra é orçada em R$ 3,5 milhões e o prédio pode ainda ser usado por outro órgão do Estado.

Apesar da informação de que programas serão mantidos, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), 37, criticou a decisão. “Faltou sensibilidade. Podiam diminuir o número de shows da Virada Cultural e direcionar a verba para as oficinas”, afirma.

Artistas e políticos da cidade e da região se mobilizaram para tentar reverter o fechamento, mas não teve jeito.

“Se querem acabar com algo por completo, arranquem a raiz mais profunda, a mais antiga, a mais sólida”, lamenta o maestro Alexei Lisounenko, 38, referindo-se ao pioneirismo da oficina. Sua preocupação, diz, é com os jovens que iam ao local.

A cantora Manu Saggioro, 32, que frequentou a oficina por mais de 15 anos, também lamenta o encerramento. “Era um espaço para a contemplação e interação do artista com o público”, avalia.

A região também sai prejudicada na opinião da diretora teatral Madê Correa, 59, que foi secretária de Cultura da vizinha Agudos. “Na minha época de secretária, se não fosse a Oficina Cultural, não teríamos como fazer nada.”

Projetos importantes para Bauru começaram na oficina, como a Semana de Fotografia, o Festival Internacional de Teatro de Bonecos e a Semana Municipal de Hip Hop.

As oficinas são administradas pela Organização Social Poiesis, que recebe repasses do governo. Este ano, foram R$ 19 milhões, menos do que os R$ 25 milhões de 2014.

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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