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Ativos da OAS à venda cobrem só 32% da dívida da companhia

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Relatório apresentado aos credores da OAS, que pediu proteção à Justiça no final de março para escapar da falência, calcula que a empresa pode levantar no máximo R$ 2,765 bilhões caso encontre interessados para todos os ativos que pôs à venda.

O valor seria suficiente para cobrir menos de um terço da dívida do grupo, que soma R$ 8,8 bilhões, mas chega a R$ 10,5 bilhões com a reserva para perdas possíveis (contingenciamento).

Parte dos negócios, contudo, não deve encontrar interessados no momento, diz o relatório assinado pela consultoria FTI Consulting.

Segundo o grupo, o plano de recuperação judicial vai incluir os recursos das vendas dos ativos e também receitas futuras da construtora, que ele pretende manter.

“Dessa forma, a viabilidade do plano não será olhada pelos credores apenas sob a ótica dos desinvestimentos.”

O documento da consultoria, a que a Folha teve acesso, mostra por quanto cada um dos negócios do conglomerado está avaliado. O relatório foi formulado a partir de informações confidenciais do plano de negócios, fornecidas pela própria OAS.

A avaliação do quanto a empresa pode levantar é central para os credores, que terão de negociar com a companhia o quanto receberão de volta e em quanto tempo.

Para eles, quanto mais dinheiro em caixa a empresa tiver, maior a chance de ter os valores pedidos de volta.

Os termos de pagamento têm de estar no plano de recuperação judicial, que precisará ser aprovado pela maioria dos credores. Caso seja rejeitado, a falência do grupo será decretada.

No ano passado, quando iniciou a busca por investidores dispostos a comprar ativos do grupo, a empresa esperava levantar até R$ 2,8 bilhões somente com a venda da Invepar, segundo executivos próximos às negociações.

A participação de 24,4% da empreiteira na empresa, que é dona de concessões de rodovia, ferrovia, do metrô do Rio e do aeroporto de Guarulhos, segue como o ativo mais valioso do grupo. Mas está avaliada pelo relatório em apenas R$ 1,426 bilhão.

Editoria de arte/Folhapress

Segundo o documento da FTI Consulting, um acordo de venda deve ser fechado entre junho e julho deste ano.

NEGÓCIO AVANÇADO

A negociação para a venda da OAS Soluções Ambientais, que atua no tratamento de água e esgoto em Araçatuba e Guarulhos, também está em estágio avançado. De acordo com o relatório, ela está avaliada em R$ 79 milhões e um acordo deve ser finalizado em agosto deste ano.

Há ainda outros oito ativos à venda.

Segundo o documento da FTI, os negócios da OAS vêm perdendo valor devido às implicações da Lava Jato, que investiga o pagamento de propina a ex-funcionários da Petrobras para obter vantagens em licitações.

A crise da Petrobras –um grande cliente do grupo– e a pressa da empresa em vender seus ativos, ainda que por um valor menor que o esperado, também afetam os negócios.

A companhia OAS Óleo e Gás, que aluga navios-sonda à petroleira, é uma das que mais perderam valor nos últimos meses.

A fatia de 61% na companhia, que valia cerca de R$ 1,1 bilhão em setembro de 2014, é avaliada agora em somente R$ 107 milhões.

Em 2013, o FI-FGTS concordou em aplicar R$ 800 milhões para ficar com 39% da empresa. Mas só R$ 90 milhões foram desembolsados até agora, apurou a Folha.

De tão enrolado, o estaleiro Enseada Paraguaçu, onde a OAS é sócia das empreiteiras Odebrecht e UTC e da japonesa Kawasaki, está na categoria de ativos que não devem encontrar interessados no momento.

Por causa da crise da Sete Brasil, que cessou pagamentos, as obras no estaleiro foram interrompidas. Além disso, a dívida atual do empreendimento é de R$ 1 bilhão, mas deve chegar a R$ 1,6 bilhão, afirma o relatório.

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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