Últimas

Conheça o filme gravado inteiramente com iPhones

Tangerine, o filme mais recente do diretor Sean Baker, conta a história de duas prostitutas transgênero: Sin Dee e Alexandra. Após passar 28 dias na cadeia, Sin Dee descobre por Alexandra que Chester, seu namorado (e cafetão das duas) está traindo ela, e sai em busca de vingança. Detalhe: o filme foi inteiro gravado com câmeras de iPhone.

Baker, o diretor do filme, disse ao The Verge que a opção pelos dispositivos da Apple foi motivada primeiramente pelo orçamento apertado do projeto, mas que “foi surpreendentemente fácil” usá-los para gravar a história. Veja abaixo o trailer do filme:

[embedded content]

Três iPhones 5S foram usados. A câmera dos dispositivos, no entanto, utilizou um adaptador anamórfico fabricado pela Moondog Labs, que permite aos dispositivos gravar vídeos no formato cinematográfico widescreen (na proporção 16×9; nativamente, a câmera do iPhone captura imagens na proporção 4×3). “Eu não teria nem feito o filme sem ele”, comentou Baker.

A equipe de filmagem também usou o aplicativo Filmic Pro, que permite controle mais detalhado sobre o foco, a abertura e o equilíbrio de cores da câmera do dispositivo, e uma Steadicam, um equipamento que ajuda a manter câmeras estáveis, para evitar tremedeira na imagem. Segundo Baker, “Como esses dispositivos são tão pequenos e tão leves, uma mão humana – não importa queão estável você é – vai balançá-los. E o resultado não é bom”.

O ator James Ransone, que interpreta Chester no filme, confessou que, a princípio, teve reservas com relação a gravar um filme em um iPhone. No entanto, após o início das filmagens, ele passou a admirar a flexibilidade que o dispositivo permitia. Uma cena, por exemplo, foi gravada por Baker enquanto ele andava de bicicleta em volta dos atores.

Ransone, no entanto, ressalta que não basta ter um iPhone 5S para ser capaz de fazer um filme. “Você ainda precisa saber como funciona a edição, como funciona o som, como funciona uma câmera”. Para ele, embora o filme mostre que é possível fazer algo lindo com poucos recursos, “mas você ainda precisa conhecer 100 anos de filmografia”.

Além dessa questão técnica, o filme também foi louvado por sua disposição a abordar temas diferentes dos de Hollywood. Adam Vary, repórter do BuzzFeed, considerou o tema bastante adequado para ser filmado com iPhones, que deram um tom marcante ao filme (o laranja forte de muitas imagens inspirou o título da produção).

Ele também considerou louvável o fato de que as personagens trans foram interpretadas por atrizes trans, algo que não costuma acontecer: em Dallas Buyers Club, por exemplo, a personagem feminina transgênero Rayon foi interpretada por Jared Leto, um homem cisgênero. 

Fonte: Olhar Digital
Matéria originalmente postada no site olhardigital.uol.com.br

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *