Desafio de David Cameron será encarar a Europa e a Escócia

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Janan Ganesh, o blogueiro do “Financial Times” que fez um excelente acompanhamento do processo eleitoral britânico, define à perfeição o que se segue ao formidável triunfo de David Cameron:

“O primeiro-ministro tem direito a um momento de autossatisfação hoje. Mas, uma vez que passe, há questões existenciais com as quais ele deve lutar”.

A rigor, são duas. Uma é a percepção, sempre segundo Ganesh, de que “a Escócia parece outro país esta manhã”, como consequência do espetacular desempenho do nacionalista Partido Nacional Escocês, que levou 56 das 59 cadeiras da Escócia.

Se o Partido Conservador é eurocético, como parece evidente, dá direito aos escoceses de serem “britanicocéticos” e voltarem a pleitear a independência, embora derrotada em recente plebiscito.

O segundo e ainda mais existencial desafio é começar a trabalhar no plebiscito que o próprio Cameron anunciou, para 2017, sobre o que já se está chamando de “Brexit” (saída da Grã-Bretanha da União Europeia).

Antes, o primeiro-ministro vai negociar com os europeus a devolução a Londres de certas políticas hoje centralizadas em Bruxelas.

A principal delas é a imigração intraeuropeia. A segunda é a manutenção dos privilégios de que goza a City londrina como centro financeiro.

O primeiro passo, a negociação, tem apoio majoritário no Reino Unido, mas o passo seguinte (a saída) não. Pesquisa do YouGov mostra empate técnico: 40% querem permanecer e 39% querem sair do bloco com a Europa.

Entre os formadores de opinião, a maioria esmagadora (72%) é contra a saída.

Seria “um desastre para a Europa e para o Reino Unido” decreta a “Economist”, que votou pelos conservadores na eleição de quinta-feira.

Para evitar ser levado a esse desastre, Cameron depende da boa vontade de seus pares europeus na negociação que antecederá o plebiscito.

Mas “os Estados membros da União Europeia estão crescentemente desconfortáveis com o que percebem como a atitude britânica em relação à Europa”, escreve Paola Subacchi, do centro britânico de estudos Chatham House para a “Foreign Policy”.

Convém, portanto, a Cameron aproveitar bem seu momento de autossatisfação. Tende a ser relativamente breve.

Como convém que os institutos de pesquisa façam uma reavaliação profunda de seus métodos. Fracassaram redondamente em seus levantamentos, já que todos indicavam um empate entre conservadores e trabalhistas.

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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