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Empreiteiro assina acordo de delação e vai devolver R$ 55 milhões

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O empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC e da Constran, assinou nesta quarta-feira (13) um acordo de delação com a Procuradoria Geral da República em Brasília. No trato, ele prometeu revelar o que sabe sobre pagamentos de suborno na Petrobras e outras estatais.

Ele também se comprometeu a pagar uma multa de R$ 55 milhões, a segunda mais alta entre os delatores da Operação Lava Jato (a maior foi paga por um ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco, de US$ 97 milhões, o equivalente hoje a R$ 295 milhões).

Pessoa passou cerca de quatro horas na sede da PGR, em Brasília, com os procuradores da República que trabalham nos inquéritos sobre políticos relativos à Operação Lava Jato. A Folha apurou que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, também participou da conversa.

Nas negociações para o acordo, Pessoa disse que deu R$ 7,5 milhões à campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) no ano passado, negociados com o tesoureiro Edinho Silva, ainda de acordo com Pessoa.

A doação, segundo Pessoa, visava evitar retaliações em contratos com a Petrobras, conforme a Folha revelou no último sábado (9). Atualmente, Edinho ocupa o Ministério da Secretaria de Comunicação Social.

Tanto ele quanto o PT negam ter recebido doações ilegais na campanha do ano passado.

Pessoa também citou o senador Edison Lobão (PMDB-MA) como beneficiário de propina na época em que era o titular do Ministério das Minas e Energia, no primeiro governo de Dilma Rousseff (2011-2014). O empresário contou que Lobão recebeu R$ 1 milhão para não criar empecilhos na obra da usina nuclear de Angra 3.

A UTC conquistou um dos contratos da usina nuclear, obra estimada em R$ 2,9 bilhões, em consórcio formado com a Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. Todas essas empreiteiras são investigadas pela Lava Jato sob suspeita de terem pago propina para conquistar contratos da Petrobras.

Segundo “O Globo”, Pessoa citou outros parlamentares, mas as circunstâncias das menções ainda não estão claras.

Pessoa e outros dois executivos da Camargo Corrêa que fizeram acordo de delação foram os primeiros investigados a apontar que essa prática de suborno também ocorria em outras empresas públicas.

Pessoa ficou preso de 14 de novembro a 28 de abril, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que ele deveria sair da custódia da Polícia Federal em Curitiba e cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

O STF e a Polícia Federal não participaram da reunião na PGR. O acordo de delação ainda deverá ser homologado pelo ministro do STF Teori Zavascki.

A PGR informou, por meio da assessoria, que não vai se manifestar sobre o assunto.

Procurado, o advogado de Lobão, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, não havia sido localizado até o momento.

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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