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Exército boliviano põe mão na massa para enfrentar greve de padeiros

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O Exército da Bolívia “combaterá” a falta de pão provocada pela greve de padeiros triplicando a produção deste alimento básico que sumiu das prateleiras, antecipando os efeitos de uma paralisação que pode se estender a partir de amanhã a todo o país, em protesto pelo fim do subsídio estatal à farinha.

O ministro da Defesa, Reymi Ferreira, declarou nesta terça-feira (19) à Agência Efe que o Exército aumentará para três os turnos nos fornos das sete unidades militares das cidades vizinhas a La Paz e El Alto para produzir até 210 mil unidades de pão por dia.

“Vamos fazer uma inspeção em todas as unidades militares para ver os requerimentos imediatos para triplicar a produção e vamos produzir indefinidamente enquanto a greve dos panificadores continuar”, declarou Ferreira.

Os militares não produzem o tradicional “pão de batalha” ou “marraqueta”, que tem 60 gramas, mas peças planas, comuns nos quartéis bolivianos.

O pão dos militares é vendido pelo equivalente a US$ 0,05 a unidade nas agências da estatal Emapa (Empresa de Apoio à Produção de Alimentos), onde os moradores têm feito filas desde a segunda-feira porque não há alimento suficiente nos mercados para cobrir a demanda.

Esse é o preço que o governo quer manter para a oferta de pão nas duas cidades, que até o momento são as duas únicas onde houve a greve de 48 horas, embora os sindicatos de outras regiões queiram aderir a partir de amanhã como medida de pressão.

Os produtores de pão argumentam que o custo deste alimento deve subir para o equivalente a US$ 0,07 por causa do fim do subsídio à farinha.

O governo alegou que os preços da farinha sem subvenção no mercado são agora semelhantes aos de uma década atrás e que existe uma folha de custos que mostra a rentabilidade da produção de pão sem que a matéria-prima esteja subsidiada.

“Acho que é um conflito artificial. Há dois anos víamos que a saca de 50 quilos custava 300 bolivianos (US$ 43 dólares), mas caiu para praticamente a metade. Então, não se justifica uma subvenção”, afirmou Ferreira.

Ele também ressaltou que o governo está aberto a um “diálogo franco, sincero e sem egoísmos” com o setor sobre como é possível incentivar a produção ou melhorar os fornos, mas não sobre o aumento do preço do pão.

Uma assembleia de sindicatos de padeiros decidiu convocar uma greve nacional a partir de amanhã em apoio a seus companheiros de La Paz e El Alto, apesar de em outras cidades o pão ser mais caro do que nessas duas.

A assembleia resolveu também pedir a renúncia da ministra de Desenvolvimento Produtivo, Verónica Ramos, porque considera que a retirada do subsídio afeta o bolso da população.

O dirigente dos padeiros de La Paz, Félix Quenta, afirmou em à rádio “Erbol” que o preço da saca de farinha de 50 quilos no mercado subiu US$ 7 quando estava subsidiado, por isso a retirada da subvenção diminuirá muito a receita dos panificadores.

Quenta sugeriu que o governo compre farinha argentina, que é mais barata, para revendê-la aos padeiros.

Enquanto isso, no Estado-Maior das Forças Armadas, a reportagem da Efe constatou que os fornos industriais funcionam a todo vapor para atenuar a escassez no mercado.

Habitualmente, os soldados fabricam nessas instalações 1.600 pães diários para 800 soldados, e agora estão produzindo 5.600 unidades para responder à demanda extra provocada pelo conflito dos padeiros.

Esta não é a primeira vez que os militares participam do fornecimento do pãozinho para os bolivianos.

Eles prestaram ajuda em duas ocasiões anteriores diante de circunstâncias semelhantes, e na América Latina houve experiências “diante do boicote de alguns empresários que afetou o abastecimento de alimentos na Venezuela”, acrescentou Ferreira.

Fonte: Bol.com.br

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