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Exposição no MAR mostra trabalhos de mulheres que foram pioneiras em suas épocas

Rio – A exposição ‘Tarsila e Mulheres Modernas no Rio’ começa nesta terça-feira no Museu de Arte do Rio, exibindo ao público as conquistas femininas e a participação das mulheres no movimento artístico Modernismo. São nomes dos séculos XIX e XX como Tarsila do Amaral, Chiquinha Gonzaga, Clarice Lispector, Djanira da Mota e Silva e Lota de Macedo Soares, consideradas pioneiras em suas respectivas áreas. 


O quadro ‘A Boneca’, de Tarsila do Amaral, está na exposição do MAR

Foto:  Divulgação

Quem visitar o local poderá ter acesso a mais de 200 peças, entre pinturas, fotografias, desenhos, esculturas, objetos pessoais e um rico acervo audiovisual, sobre as mulheres da exposição. As obras foram selecionadas de coleções particulares e de instituições, que emprestaram o acervo para a montagem.

“A exposição tem uma dupla função. A primeira é olhar para as artistas modernas que estavam surgindo na época, nos séculos XIX e XX, e a segunda seria pensar na modernidade, nas revoluções sociais, nas conquistas das mulheres, como o direito ao voto’’, explica Marcelo Campos, um dos curadores da exposição. 

O ponto de partida da montagem são as pinturas de Debret, do século 19, que retratam as mulheres que ficavam restritas no ambiente doméstico. Mas são as obras da artista Tarsila do Amaral que conduzem a exposição. Ao lado de Anita Malfatti, a artista foi uma das primeiras mulheres a fazer parte do Modernismo, movimento artístico que começou com a Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo, e revolucionou o campo das artes visuais no país. 

“A Tarsila evidencia essa mudança social. Ela estava em Paris no momento em que acontece a Semana de Arte Moderna. Ela, então, acompanhou, mesmo de longe, a mudança que ocorria no Brasil, a passagem de uma sociedade machista para uma sociedade moderna”, conta Campos.

Além das 25 pinturas e dos dez desenhos de Tarsila, algumas raridades vão estar expostas, como o manuscrito de ‘O Quinze’, romance que narra a saga de uma família nordestina para fugir da seca, de Rachel de Queiroz, e crônicas femininas de Clarice Lispector, escritas sob o pseudônimo de Helen Palmer.

GAROTA DE IPANEMA 

Apesar dos documentos e as histórias serem datadas até os anos 50, a exposição também dialoga com décadas subsequentes. Fotos de Helô Pinheiro, a Garota de Ipanema, na década de 60, e da Major Priscila de Azevedo, de 2013, são alguns exemplos. Na exposição há ainda uma foto de Elisabeth Gomes da Silva, viúva do pedreiro Amarildo de Souza, assassinado por policiais militares da UPP da Rocinha em 2013.

“A mulher do Amarildo é a representação atual da mulher de antigamente, da mulher que pede justiça, que vai para as ruas questionar o modelo vigente e lutar por seus direitos’’, exemplifica Campos, acrescentando que, apesar dos avanços, as mulheres devem continuar a lutar por mais direitos.

Originalmente matéria publicada no Jornal O Dia (http://odia.ig.com.br)

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