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Financiamento coletivo virtual, procura por crowdfunding cresce no Brasil

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No sufoco. É como Tim Bernardes imagina que sua banda, O Terno, estaria, caso não arrecadasse em um financiamento coletivo pela internet –também conhecido comocrowdfunding os R$ 36 mil que precisava para finalizar o disco “O Terno” (2014).

“A gente estaria devendo até agora”, diz o vocalista do grupo. O caso da banda de rock paulistana integra o crescimento das vaquinhas on-line para cultura no Brasil. De 2011 até agora, no Catarse, principal plataforma do gênero do país, 677 músicos passaram o chapéu entre os fãs —59% deles foram bem-sucedidos.

Felipe Caruso, coordenador de comunicação do Catarse, afirma que a música é a principal categoria em número de projetos inscritos e em valor arrecadado (até agora, R$ 6,2 milhões). O número de solicitantes aumentou 30% nos cinco primeiros meses de 2015, em relação ao mesmo período no ano passado.

Adriano Vizoni/Folhapress
Tim Bernardes, da banda nacional O Terno durante apresentação no segundo dia do Lollapalooza, em 2015
Tim Bernardes, da banda O Terno durante apresentação no segundo dia do Lollapalooza, em 2015

No caso do Kickante —outra importante plataforma de crowdfunding no país, criada em 2013– a procura por financiamento de projetos culturais foi 63,5% maior nos primeiros meses de 2015 do que na mesma época de 2014.

Os fãs d’O Terno ajudaram a custear as prensagens e a arte gráfica do disco, além de parte das gravações.

Eles doaram de R$ 19 a R$ 1.000 à banda, pela internet. Dependendo do valor, recebia-se uma recompensa distinta: de pôster autografado a uma serenata particular. Como em todo projeto do tipo, caso a meta de arrecadação não fosse atingida até o final da campanha, o dinheiro era devolvido ao doador.

“Sou filho de músico independente. Quando meu pai fazia um disco, sabia que eram dois anos para pagar”, conta o vocalista da banda. “Não dever é incrível. Deu para investir no clipe.”

VONTADE DE COMER

A campanha de arrecadação do grupo de Tim Bernardes reflete bem a realidade de artistas independentes que recorrem ao crowdfunding.

Para Juliana Nolasco, conselheira do Instituto de Tecnologia e Sociedade e ex-coordenadora-geral de Economia da Cultura do Ministério da Cultura, “um produtor médio precisa misturar fontes de financiamento para viver de sua arte”. “A gravação do CD por um edital, o financiamento coletivo para a divulgação e um patrocínio para a turnê”, diz.

Segundo ela, o crescimento do crowdfunding em cultura no Brasil “junta a fome com a vontade de comer”.

“Vivemos um esgotamento do financiamento de cultura, hoje baseado na Lei Rouanet e nas leis estaduais de incentivo fiscal”, afirma. “Por causa dos trâmites burocráticos, acaba concentrado em quem tem estrutura de captação muito grande.”

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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