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Genro de Drummond deixa estudo de mais de 600 páginas sobre o poeta

Morto na última quarta (27), o poeta argentino Manuel Graña Etcheverry, o Manolo, deixou inédito um estudo de mais de 600 páginas sobre Drummond, de quem era genro –e que o considerava seu melhor tradutor. Ainda sem editora, “A Poética de Carlos Drummond de Andrade” inclui uma alentada estatística feita a partir da catalogação de 38 mil versos do poeta, como aponta, no prefácio, o escritor Edmilson Caminha:

“Segundo o pesquisador, na poesia drummondiana 86,34% dos versos são brancos, e 13,66%, rimados; contam-se 408 menções explícitas à poesia e aos seus termos afins; acham-se 432 neologismos, que vão de boitempo, alusivo à infância, a limpim-guapá-gempém, ou “linguagem”, na interessante “língua do pê”; e leem-se 845 nomes próprios, que o autor ordena por sexo, profissão e em uma classe que reúne os “indeterminados” (não fosse argentino, decerto identificaria Mazzaropi, João do Pulo e Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, entre outros brasileiros conhecidos que se descobrem nessa “vala comum”…)”

A CAIXA DE JOÃO

Especializada em obras pouco ou nada conhecidas no país, a editora Carambaia programa para outubro uma caixa com textos do escritor e jornalista João do Rio (1881-1921), em três volumes: teatro, ficção e crônicas.

Responsável pela organização, Graziella Beting priorizou, nas crônicas, textos que saíram apenas em jornal. O volume de ficção terá o romance “A Profissão de Jacques Pedreira” (1911), há muito não editado, além de contos localizados na hemeroteca da Biblioteca Nacional de Portugal.

Para fazer jus à relação de João do Rio com a cidade que carrega no nome, a Carambaia contratou para elaborar a caixa um escritório de arquitetura, a UniArquitetos, que nunca havia se aventurado na área de livros.

QUADRINHOS

Divulgação

Recém-lançada nos EUA, a HQ “Clube da Luta 2”, de Chuck Palahniuk, com ilustrações de Cameron Stewart, sairá pela LeYa em 2016, com capa dura; neste mês, a editora reedita ‘Beautiful You’ e ‘No Sufoco’, sucessos do escritor

21 ANOS DEPOIS

José Castilho Marques Neto foi exonerado nesta semana do cargo de diretor presidente da Fundação Editora Unesp, que ocupou por 21 anos.

Em carta a editores universitários, disse que “a única alegação apresentada [pela reitoria da universidade] é a de que estaria há muito tempo na função e que ‘isso incomodava muita gente na Unesp'”. Ele lamentou que a exoneração não tenha se baseado “em critérios de desempenho e competência”.

No texto, lembrou o corte do repasse da Unesp para a editora no exercício de 2015 –que chegou a 50%. “Não desconheço o conjunto de cortes que a Unesp sofreu com a crise, mas salta aos olhos a especial desidratação da editora”, disse, argumentando que a casa só mantém o desempenho devido a uma “administração segura, que fez reservas nos últimos oito anos”.

Quando Castilho ingressou na editora, como editor-executivo, nos anos 1980, ela tinha quatro títulos no catálogo. Hoje, tem cerca de 1.700 títulos, 400 em formato eletrônico, e três livrarias.

Projeto O novo diretor presidente da Editora Unesp é Jézio Gutierre, ex-editor-executivo. “Estabeleci como condição para aceitar o cargo a preservação do projeto da editora, mantendo nossa pluralidade de autores.”

Projeto 2 Segundo ele, a ideia de substituir a presidência foi anunciada dois anos atrás pelo reitor da Unesp, Júlio Cesar Durigan. “Depois de tantos anos, a reitoria julgou interessante um rodízio”, diz.

Tacho Na reabertura Casa Mário de Andrade, no último sábado, o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) se comprometeu a agilizar a desapropriação das duas casas vizinhas à oficina cultural, que também pertenciam à família do modernista e hoje estão “transformadas em cortiços”, segundo o curador da exposição permanente do espaço, Carlos Augusto Calil.

Tacho 2 “Vamos raspar o tacho e garantir os recursos”, disse o governador. A meta é transferir para as casas vizinhas as atividades da oficina, liberando o segundo andar da Casa Mário para que seja “musealizado”, como o térreo.

Quem paga a conta Prestes a publicar três títulos do filósofo alemão Peter Sloterdijk (“Esferas I – Bolhas”, “Você Precisa Mudar Sua Vida” e “Horríveis Filhos dos Novos Tempos”) e dois do crítico literário francês Gérard Genette (“Figuras 2” e “Figuras 3”), a Estação Liberdade prepara quatro livros de colorir, da série “Inspiração”, em parceria com a Larousse.

Quem paga a conta 2 “Não somos de pedra e precisamos financiar Sloterdjik e Genette”, diz o editor Angel Bojadsen.

Mais cores Outra que entra no nicho é a Companhia das Letras, via Paralela, com “A Cidade Mágica”, de Lizzie Mary Cullen, e “Casa em Cores”, de Durel Godfrey. Ambos saem em julho.

Com Gabriela Sá Pessoa, de São Paulo

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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