Últimas

Leia trecho de 'Sem Medo de Errar'


17/05/2015

17h00


da Livraria da Folha

Escrito por Alina Tugend, colunista do jornal “New York Times”, “Sem Medo de Errar” apresenta pesquisas e entrevistas que buscam resgatar o valor do ditado “é errando que se aprende”. No livro, a autora descreve e analisa como os erros são assimilados em diversos contextos sociais.

Abaixo, leia um trecho.

*

Introdução

Este livro teve início quando cometi um erro numa coluna para o New York Times. Meu primeiro instinto, quando apontaram o equívoco, foi negá-lo ou escondê-lo. Ponderar que uma correção não era de fato necessária. Em seguida fiz o que um bom jornalista deveria fazer e contei o ocorrido à minha editora. Delicadamente, ela admitiu que devia ter detectado o erro, e então apresentamos uma correção, que foi publicada dias depois. Mas aquilo me aborreceu. Não tanto o erro em si, mas o fato de que no mundo de hoje – em nossa vida pessoal, nossas interações sociais, nossos locais de trabalho – erros são vistos como “maus”. O que foi feito do lugar-comum que ouvimos no tempo de escola (pelo menos nos primeiros anos) que nos garantia que precisávamos errar para aprender?

Uma amiga minha gosta de contar a história do dia em que levava o filho do jardim de infância para casa e perguntou o que ele tinha aprendido aquele dia. “Nada”, respondeu o menino. “Nada? Você não aprendeu nem uma coisinha?”, ela perguntou. “Não”, disse o menino. “Minha professora disse que a gente aprende errando e hoje eu não fiz nada de errado.” Imagine se essa atitude sobrevivesse ao longo de nossas vidas. Se, quando pensássemos como havia sido o nosso dia, em vez de lamentar nossos erros, pensássemos cheios de orgulho sobre os que tínhamos cometido e como tínhamos aprendido com eles.

Assim, escrevi uma coluna sobre a tensão entre o que nos é dito – que devemos errar para aprender, que todos os grandes líderes e inventores o fizeram – e a realidade de que, com frequência, somos punidos por cometer erros e por isso tentamos evitá-los, ou encobri-los, tanto quanto possível. Discuti pesquisas, o que expandirei neste livro, mostrando como pais e professores muitas vezes encorajam involuntariamente esse tipo de atitude de evitar o erro e como essas crianças se transformam em adultos que têm medo ou pavor de errar.

À primeira vista, isso não parece tão ameaçador: mesmo que talvez possamos não levar tudo tão a sério, não deveríamos, via de regra, tentar evitar tolices? Depende. Claro que não queremos cometer o mesmo engano reiteradamente. Mas isso é diferente de pensar que não só podemos como devemos fazer tudo à perfeição, e que, se não o fizermos, somos uns fracassados. Essa mentalidade cria casamentos e relacionamentos em que as pessoas despendem enormes quantidades de energia censurando-se mutuamente quando alguma coisa dá errado, em vez de procurar uma solução; em que a propensão a se defender e a acusar tomam o lugar do perdão e do pedido de desculpa. Isso gera ambientes de trabalho em que a coragem de ousar e ser criativo, correndo ao mesmo tempo o risco de fracassar, é englobada num ethos de prevenção do erro ao custo da audácia e da inovação. Ou, inversamente, ambientes de trabalho em que os bambambãs nunca são desafiados; ao contrário, são recompensados por tomar decisões realmente ruins. E terminamos com uma cultura em que as pessoas têm vergonha de cometer erros – grandes ou pequenos – e transmitem essa vergonha para os filhos.

*

Google Plus - Logo

SEM MEDO DE ERRAR
AUTOR Alina Tugend
EDITORA Zahar
QUANTO R$ 19,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.


+ Conteúdo

+ Canais



Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *