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Madonna dos Cachorros está internada e precisa de ajuda

Madona era sempre vista acompanhada de seus cinco cachorros. Foto: Teresa Maia/DP/D.A Press
Madona era sempre vista acompanhada de seus cinco cachorros. Foto: Teresa Maia/DP/D.A Press

Acompanhada de seus inseparáveis cães, vestida com poucas e apertadas roupas e munida de desaforos na ponta língua, “Madonna dos Cachorros” é uma figura emblemática do Bairro do Recife. Dona de uma personalidade atordoada, sua presença jamais passa despercebida, seja pelos palavrões ditos aos berros por motivos quaisquer, pela embriaguez evidente ou pela alegria efêmera que deixa escapar enquanto dança sozinha. Há um mês, Madonna, aos 43 anos, pisou em um hospital pela primeira vez. Internada na UTI do Hospital Getúlio Vargas, a moradora de rua foi diagnosticada com hepatite B e cirrose, além de outras complicações. Com os rins já sem funcionar e o fígado totalmente comprometido, ela luta para sobreviver.

“Ela mal estava conseguindo andar, só segurando nas paredes, já fazia um tempo. Eu já tinha chamado o Samu algumas vezes, mas ela fugia. Um dia de madrugada ela passou mal, aí conseguiram levar”, conta Rainha, dono de um bar no bairro e amigo de Madonna. Desde então, é ele quem cuida dos cinco cachorros que a acompanhavam. “Quando dava 15h ela chegava perguntando pelo Bolsa Família dela. Brincava com isso porque eu sempre dava comida a ela e a eles. Depois que ela foi embora, os cachorros continuaram vindo, eles sabem onde comer”, conta o amigo, que promete cuidar dos animais até quando for necessário.

Apesar da fama de criar confusão, Madonna era querida entre os frequentadores do bairro. Além da companhia dos cães, ela também não dispensava a lata de cachaça, que comprava usando todo o dinheiro que conseguia. Segundo Joelma Gomes, 41, irmã de Madonna, a moradora de rua, considerada agressiva, sempre teve uma personalidade difícil.

“Ela sempre teve problemas mentais. Quando era bebê ela comia cabelo, tinha problemas mesmo, mas gostava de ler, desenhar. Era difícil, minha mãe não conseguia levar ela no médico porque ela mordia, fugia”, conta. Joelma diz ainda que a relação com os cachorros também faz parte da infância da irmã. “Ela tinha um cachorro, Doguinho, que ela amava. Quando ele morreu, ela passou três dias com o bicho morto dentro de uma caixa, que ela não soltava. Repetia o tempo todo que ele estava vivo, ao mesmo tempo em que acusava minha mãe de ter matado”.

Apesar da insanidade diagnosticada, foi a história sofrida que traçou seu destino. Aos 15 anos, ela foi estuprada. O primeiro entre os incontáveis episódios de violência sexual e física pelos quais passou. “Na época meus irmãos bateram nela, aí foi que ela ficou desmantelada, se jogou na cidade, se prostituiu e começou a beber”, diz Joelma. Bonita, magra e loira, Madonna chamava atenção e passou a adotar o nome da cantora norte-americana como identidade.

Nos primeiros anos como prostituta, gastava o dinheiro que recebia com bonecas e ursos de pelúcia. Também pela prostituição chegou ao Rio de Janeiro e São Paulo, de onde a família mandou buscar depois de saber que ela apanhava. “Joselma ficou com um homem que batia tanto nela, que ela chegou a tocar fogo nele. Aí minha mãe comprou passagem e mandou trazer, mas quando chegou aqui ela não quis ir para casa e voltou para a rua”.

Em um dos episódios de violência, teve os longos cabelos cortados por outras prostitutas e foi ameaçada. “Cortaram o cabelo todo e disseram que ali a sorte dela tinha acabado. Foi trabalho, com certeza”, acredita a irmã, que afirma ter tentado se aproximar de Madonna algumas vezes. “Quantas vezes fui até lá, com roupas, calcinha, comida, perfume, mas dizem que ela vendia para comprar bebida ou era roubada. Fui visitar uma vez com minha filha de seis meses e ela me acusou de ter roubado a filha dela, queria pegar a menina, correu atrás de mim”, lembra.

Desde que Madonna foi internada é Joelma quem cuida da irmã, cujo caso é considerado gravíssimo. Quando Madonna deixar o hospital, deve ir para um quarto que está sendo construído anexado à casa da irmã. “O médico disse que a situação é muito grave e que, caso ela saia dessa, vai ter crise hemorrágica até Jesus guardar. Mas não vou mentir, não tenho tanta esperança que ela saia”, admite.

A reportagem do Diario procurou a Secretaria Estadual de Saúde, que apenas confirmou a presença de Madona na UTI e disse não haver previsão de alta.

Ajuda – Nas redes sociais, grupos começaram uma mobilização para ajudar no tratamento de Madonna. Segundo Joelma, o hospital tem pedido cremes hidratantes e sabonete líquido para ajudar na higiene da paciente, que está sedada. Quem quiser colaborar, deve entrar em contato com a irmã de Madonna pelo número 3304-3918.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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