Últimas

Maioria dos casos de cegueira poderia ser evitada com tratamento mais ágil

Rio – Glaucoma, retinopatia diabética, catarata congênita e degeneração macular relacionada à idade são doenças que podem levar à perda de visão, caso não sejam logo diagnosticadas. Evitáveis, elas causam 60% dos casos de cegueira no país, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Para o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o tratamento precoce não é feito nas unidades básicas de saúde, onde os pacientes são consultados por um clínico-geral que, após avaliação, os encaminha a oftalmologista.

“Passar por outro médico antes é uma perda de tempo, e só é prejudicial ao paciente. A doença tende a se agravar. Ele é jogado de um canto para o outro, até conseguir agendar uma consulta ou uma operação”, opina o diretor do CBO, Mauro Nishi. Ele acrescenta que o atendimento no Brasil é ineficiente, apesar de ser um dos lugares com mais oftalmologistas no mundo: um a cada 11.604 habitantes (a OMS recomenda um por 17 mil).


Especialistas defendem que consultas oftalmológicas devem fazer parte do atendimento básico

Foto:  Istock

Para melhorar o atendimento a quem não tem plano de saúde, Mauro sugere que os consultórios particulares façam iniciativas para incluir as pessoas. “Sei que é complicado mudar o modelo de atendimento nas Clínicas da Família e postos, por já ser uma rede formada. Mas é preciso investir no tratamento precoce”.

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio reiterou que cada paciente deve procurar a unidade de referência de acordo com o endereço da residência para o atendimento básico inicial. Se houver necessidade de exames complementares, o profissional de saúde fará o encaminhamento a uma policlínica ou hospital, que atuam por meio do Sistema de Regulação (Sisreg).

Já o Ministério da Saúde explicou que os atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde fazem parte da estrutura da Atenção Básica do SUS, que é capaz de resolver “até 80% dos problemas de saúde da população”. O ministério informou ainda que está em elaboração o Programa Mais Especialidades, que poderá expandir as consultas especializadas, utilizando as redes pública, filantrópica e privada.

Anos de espera por uma cirurgia

Hoje com 14 anos, o destino do estudante Adriel Luiz Serafim poderia ter sido diferente. Quando ele tinha 1 ano e 8 meses, a mãe, Angélica Serafim, percebeu que ele parecia enxergar mal e que os olhos estavam com uma leve mancha branca. Ao levá-lo a um posto de saúde em Santa Cruz, onde moram, ele foi atendido por uma pediatra, que o diagnosticou com catarata congênita. A procura por um oftalmologista demorou mais de um ano.

Durante este período, a mãe percorreu mais de quatro unidades, como o Hospital Universitário Pedro Ernesto e o Hospital Municipal Jesus, onde Adriel foi operado quando completou 5 anos. “A cirurgia demorou tanto, que tenho certeza de que a doença evoluiu com o tempo. Hoje, o meu filho ficou com a visão prejudicada e precisa ler com uma lupa”, conta Angélica.

Originalmente matéria publicada no Jornal O Dia (http://odia.ig.com.br)

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *