Últimas

Melodias alegres disfarçam reflexões do disco de estreia do Dingo Bells

Publicidade

Travestidas de alegres, por meio de uma sonoridade pop comum a bandas brasileiras dos anos 1970 e vocais leves que poderiam trazer boas notícias, as músicas de “Maravilhas da Vida Moderna”, do Dingo Bells, destacam certezas descontentes que surgem no processo de amadurecimento.

O grupo gaúcho de Rodrigo Fischmann (voz, bateria e percussão), Diogo Brochmann (voz, guitarra e teclado) e Felipe Kautz (voz e baixo) apresenta o álbum de estreia no sábado (6), no Itaú Cultural.

Aos 27 anos, os integrantes do trio parecem ter uma visão negativa dos 30. Em suas canções, personagens são abandonados no altar, percebem que não são especiais como pensavam e que o fim é inevitável.

Dingo Bells

“Muitas vezes, um lamento é mais fácil de ser escrito do que uma celebração. Embora [o CD] não soe pessimista, há mensagens pessimistas por trás de algumas letras”, conta Kautz à sãopaulo.

“‘Mistério dos 30’ é muito mais uma caracterização do sucesso, um conceito pouco questionado, que prevê que você precisa constituir uma família, por exemplo. [A produção do álbum] não é uma sessão de terapia, mas a gente exorcizou bastante coisa”, continua com um riso tímido.

OUÇA “MISTÉRIO DOS 30”

“Mistério dos 30”

E quais são as maravilhas da vida moderna? “Uau (risos)! Essa é uma ironia em si mesma. São as coisas que facilitam a nossa vida, mas ao mesmo tempo afastam as pessoas. Hoje você tem seu escritório no bolso, já é um chavão. São as coisas que nos incomodavam, que observamos com algum deslumbre e decepção também”, pondera o baixista.

As reflexões parecem ser as mesmas para todos os músicos, que se conheceram na escola e estão juntos como banda desde 2003. Não é à toa que o tema da passagem do tempo se repete de maneiras diferentes ao longo das 11 canções.

“‘Dinossauros’ talvez seja um pouco fatalista. Fala de alguém que sabe estar vislumbrando o fim e que as coisas não vão acabar bem. É algo que todo mundo deve pensar em algum momento. O final de uma fase. O fato de você escolher o que vai fazer nesse tempo que resta”, diz.

OUÇA “DINOSSAUROS”

“Dinossauros”

Ainda que “Maravilhas da Vida Moderna” seja um retrato da banda, hoje, não há histórias pessoais que tenham influenciado literalmente as composições —ao menos que Kautz pudesse contar. “As músicas não são roteiros, são mais sensações de histórias que a gente viveu. Visões mais fatalistas”, conta.

Em “Fugiu do Dia”, a Dingo Bells imaginou um personagem correndo, literalmente, do dia. Foi uma letra trabalhosa que foi finalizada durante a pré-produção. Já em “Maria Certeza”, iniciada por Kautz, foi pensada como um folhetim situada em uma vila vila brasileira em que todo mundo se conhece. Nada aconteceu como é descrito lá, mas traduzem sentimentos reais.

A vida moderna também é expressa em sentidos, como as buzinas descritas em “Eu Vim Passear” e referências ao paladar também chamam a atenção em expressões como “gosto de metal”, “sabor de remédio” ou “mar de aspirina”. Tem alguém aí tomando anti-depressivo? “Não mais. Trocamos tudo por esporte”, diz o músico enquanto solta uma gargalhada. “São mais metáforas. Mas pensando agora, o gosto é uma sensação muito íntima, só você sente. Diz o que você está pensando sobre as coisas”, finaliza.

Itaú Cultural – sala Itaú Cultural. Av. Paulista, 149, Bela Vista, tel. 2168-1776. 249 lugares. Sáb. (6/6): 20h. 80 min. Livre. Retirar ingr. 30 min. antes. Estac. c/ manob. (R$ 14 a 1ª h, na r. Leôncio de Carvalho, 108). GRÁTIS

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *