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Para especialista, Dilma mostra receio ao cancelar discurso na TV

A presidente Dilma Rousseff (PT) não irá discursar para o trabalhador neste feriadão de 1º de maio. A petista apenas deve divulgar uma mensagem nas redes sociais. A decisão inédita do cancelamento esquentou o clima entre situação e oposição. Para os contrários ao governo, ela não falará com medo de que novos “panelaços” ocorram.

Segundo o cientista político Pedro Fassoni, da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), a decisão de Dilma mostrou “receio” com os protestos. “Isso é inusitado… um presidente trabalhista que não se utiliza do horário na TV para falar com os trabalhadores. A presidente não reconhece, mas provavelmente se deve ao receio de que ocorra um novo panelaço”.

No dia 8 de março, Dilma discursou na TV no Dia Internacional da Mulher. Diversas manifestações pelo Brasil com “panelaço” foram registradas. No dia 15 de março, cerca de 2,2 milhões de pessoas protestaram em diversas regiões contra o governo petista e a corrupção na classe política. No mês seguinte, em 12 de abril, as manifestações perderam força e reuniram cerca de 680 mil pessoas.

Fassoni acredita que Dilma errou ao se “esconder” do trabalhador. Para o cientista político, o momento é “um pouco mais favorável”. “A Dilma fez um cálculo de que seria melhor não se expor para também evitar que isso fosse utilizado pela oposição, como um novo panelaço. Alguns membros do PT não gostaram da decisão, pois na campanha a presidente utilizou o termo “Coração Valente”, portanto não poderia se esconder”.

Dilma alegou durante a campanha de que o governo não mudaria os direitos dos trabalhadores. No entanto, com a necessidade de um ajuste fiscal, ela promoveu através do ministro Joaquim Levy um pacote de medidas que dificulta o acesso ao Seguro Desemprego, ao PIS e à pensão. Além disso, apesar de o PT ter se posicionado contra, o polêmico projeto da Terceirização avançou na Câmara dos Deputados e chegou ao Senado.

“Ela deveria ir à televisão para transmitir tudo o que está fazendo para os trabalhadores. Deveria falar sobre as mudanças e se posicionar contra a Terceirização de todas as atividades das empresas, como defende o PT”, afirmou Fassoni. “No entanto, ela preferiu adotar uma postura de cautela”, complementa.

Queda na popularidade
Segundo o instituto Datafolha, a aprovação do governo Dilma é de apenas 13%. O índice de ruim ou péssimo chega a 60%. Segundo Fassoni, a queda na popularidade se refere ao momento de crise econômica e aos pacotes de ajustes fiscais que encareceu o preço do combustível e dificultou o acesso aos benefícios trabalhistas.

“Ela criticou Aécio Neves (PSDB) de que ele mexeria nas leis trabalhistas. No entanto, ela fez justamente isso. Também se soma às promessas de campanha não realizadas e as denúncias de corrupção na Petrobras do esquema Lava-Jato”, detalha Fassoni. “Os juros aumentaram e aconteceram cortes em pastas importantes como na Educação. Ou seja, é uma série de fatores que contribui para a queda na popularidade”.

Fassoni, no entanto, lembra que outros presidentes também passaram por momentos complicados no governo. “A queda de popularidade chega a ser normal. Isso aconteceu com o FHC e com o Lula também, de ter altos e baixos. O FHC no primeiro governo teve taxas elevadas de aprovação, e no final do segundo registrou índices expressivos de descontentamento.”

Congresso em situação pior
Se a aprovação do governo Dilma é baixa, a do Congresso é ainda menor, segundo o Datafolha, com 9%. Fassoni explica que isso representa um sentimento geral na população brasileira de descontentamento. “É um sentimento contra tudo o que está no governo. A população não acredita mais nos políticos e a Dilma e o Congresso não estão imunes”.

Ambiente desfavorável
Fassoni também alega que Dilma segue com dificuldades para aprovar os projetos na Câmara e no Senado, controlados pelo PMDB, com Eduardo Cunha e Renan Calheiros, respectivamente. “A oposição ganhou cadeiras, e ela enfrenta um Congresso nitidamente conservador, que pensa diferente dela, apesar de o PMDB fazer parte da base do governo.”

Fonte: Band.com.br

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