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Prepare-se para boom de energia solar de fábricas da China diante do crescimento da demanda na Ásia

(Bloomberg) – Fabricantes de painéis solares do mundo inteiro estão prontos para ter o melhor ano desde 2011, quando a Solyndra LLC, financiada pelos EUA, faliu, pois a China e o Japão estão aproveitando a queda dos preços para passar uma maior parte de sua produção de energia a fontes limpas.

Prevê-se que a produção de painéis vai crescer quase um terço neste ano, segundo dados compilados pela Bloomberg. Trata-se de uma inversão significativa para um setor que tem sido paralisado por seus próprios excessos, pois companhias na China, como a JA Solar Holdings Co. e a LDK Solar Co., arrecadaram quase US$ 3 bilhões em 2007 e 2008 para expandir a produção.

Em 2010, o mercado tinha um excesso de oferta tão grande que o custo das células fotovoltaicas começou a despencar. Como o custo dos painéis sofreu uma queda de 66 por cento desde então, a demanda está crescendo rapidamente. Pela primeira vez, a tecnologia solar está conseguindo concorrer diretamente nos preços com os combustíveis fósseis em muitos lugares.

“Estamos em um período de entusiasmo racional”, disse Patrick Jobin, analista do Credit Suisse Group AG, em entrevista por telefone. “A diferença entre o setor de hoje e o de três anos atrás é como o dia e a noite”.

Toda essa demanda da Ásia beneficiará as empresas na China, que produzem mais de 75 por cento dos painéis do mundo. As remessas das empresas americanas também estão aumentando, como as da SunPower Corp., que disse em abril que a China está se tornando seu mercado de maior crescimento.

China e Japão

Em um pacto com o presidente dos EUA, Barack Obama, a China concordou em novembro em obter 20 por cento de sua energia de fontes renováveis até 2030 e atingir o pico de emissões de carbono no mesmo ano. A fim de atingir esse objetivo, o governo chinês incrementou no início deste ano sua meta de instalações de painéis solares para 2015, de cerca de 12 gigawatts para 17,8 gigawatts.

O Japão poderia instalar até 12,7 gigawatts de energia solar neste ano, a maior quantidade depois da China. O país tem promovido um uso mais amplo das energias renováveis, especialmente os painéis em tetos, depois do desastre nuclear de Fukushima em 2011.

O potencial dos painéis solares tropeçou em 2011, quando a Solyndra se tornou um símbolo da expansão dispendiosa do setor nos EUA. Depois de receber US$ 528 milhões em fundos do país, a companhia descobriu que não podia concorrer, pois a capacidade cresceu na China e os preços dos painéis despencaram.

Crescimento

Agora, o setor está se reinventando rapidamente. Espera-se que, liderados por seu maior produtor, a Trina Solar Ltd. da China, os fabricantes produzam até 55 gigawatts de painéis neste ano, o suficiente para fornecer eletricidade a 11 milhões de casas nos EUA e 31 por cento a mais do que no ano passado, segundo a Bloomberg New Energy Finance.

O ressurgimento mais amplo mostra que a energia solar está se tornando uma alternativa cada vez mais viável aos combustíveis fósseis porque governos do mundo inteiro estão trabalhando para reduzir o aquecimento global. Mais de 1.000 executivos de todos os setores se reunirão na quarta-feira e na quinta-feira, na sede da UNESCO em Paris, para discutir seus planos para abordar a mudança do clima.

“Expandiremos a nossa capacidade”, disse Teresa Tan, diretora financeira da Trina, que tem sede em Changzhou, China, aos analistas em março. Ela disse que a companhia está “explorando outros veículos e locais para melhorar a capacidade” e investirá de US$ 250 milhões a US$ 300 milhões neste ano, em comparação com US$ 135 milhões em 2014.

A sua rival chinesa JinkoSolar Holding Co. também prevê um aumento da produção. A companhia estava operando a 100 por cento de sua capacidade no quarto trimestre, disse o diretor financeiro Haiyun Cao aos investidores em março. “Visamos expandir nossa capacidade de 20 por cento a 25 por cento em 2015”, disse Haiyun.

“Estamos saindo de um período de dois a três anos em que houve uma expansão limitada da capacidade”, disse Angelo Zino, analista da S&P Capital IQ em Nova York, em uma entrevista. “Este fato ilustra a saúde do setor”.

Título em inglês: ‘Get Ready for Solar Boom From China Plants as Asia Demand Swells’

Para entrar em contato com o repórter: Ehren Goossens, em Nova York, egoossens1@bloomberg.net

Fonte: Bol.com.br

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