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Protesto em Cleveland por absolvição de policial termina com 70 detidos

Washington, 24 mai (EFE).- Os protestos de sábado na cidade americana de Cleveland, nos Estados Unidos, pela absolvição de um policial branco pela morte a tiros de dois cidadãos negros detidos desarmados terminou com 71 detidos, informaram as autoridades neste domingo.

Os primeiros protestos após a absolvição do agente Michael Brelo começaram de forma pacífica, mas “durante a noite houve incidentes violentos isolados e a recusa dos manifestantes em se dispersar, o que motivou as detenções”, explicou o chefe da polícia de Cleveland, Calvin Williams.

Um dos incidentes violentos ocorreu em um restaurante, um cliente foi ferido por um sinalizador lançado por um dos manifestantes.

A maioria das 71 detenções foi por participação em distúrbios e obstrução da justiça.

O prefeito de Cleveland, Frank Jackson, destacou, no entanto, que o comportamento da maioria dos manifestantes foi “pacífico” e reiterou que as autoridades “continuarão a encorajar o direito dos cidadãos de protestar, mas não tolerarão ações violentas”.

Os manifestantes marcharam pelas ruas de Cleveland gritando palavras de ordem como “No justice, no peace” (Sem justiça não há paz), assim como aconteceu nos protestos que se seguiram ano passado à absolvição de dois policiais brancos pelas mortes dos afro-americanos Michael Brown (em Ferguson) e Eric Garner (em Nova York).

Este mês também houve protestos e distúrbios violentos em Baltimore por causa da morte do jovem negro Freddie Gray, que sofreu uma lesão na espinha que causou sua morte enquanto estava sob custódia policial.

Alguns dos que saíram para protestar em Cleveland também lembraram do caso, ainda em investigação, da criança negra Tamir Rice, de 12 anos, morta ano passado por um policial que confundiu uma pistola de brinquedo com uma arma de verdade.

Após um julgamento que durou quatro semanas, o juiz John P. O’Donnell deu neste sábado seu veredicto ao agente Brelo, que enfrentava duas acusações de homicídio pela morte de Timothy Russell e Malissa Williams.

Em 29 de novembro de 2012 vários agentes da polícia de Cleveland escutaram ruídos vindos do veículo de Russell, e por acharem que eram disparos começaram uma perseguição.

Mais de cem agentes se envolveram na ação, e 13 deles dispararam 137 vezes contra o veículo em que estava Russell, de 43 anos, e Williams, de 30, segundo a investigação.

Brelo era um deles e, de acordo com os promotores do caso, quando o veículo já estava parado e cercado pela polícia, subiu no capô do automóvel e disparou pelo menos outras 15 vezes contra as duas vítimas, que estavam desarmadas.

Especialistas médicos tanto da promotoria como da defesa sustentaram durante o julgamento que não era possível determinar se as vítimas já tinham morrido quando receberam os tiros de Brelo.

Em seu veredicto, o juiz argumentou que o uso da força por Brelo foi “uma resposta constitucionalmente razoável diante da percepção de uma ameaça”.

O Departamento de Justiça e o FBI (polícia federal americana) anunciaram após a absolvição que revisarão o caso contra Brelo e examinarão “todas as opções legais disponíveis”.

Em dezembro, o Departamento americano de Justiça divulgou o resultado de uma investigação iniciada em março de 2013 que concluiu que a polícia de Cleveland faz “uso de força excessiva”.

Essa investigação detectou “o uso desnecessário e excessivo de força letal, incluídos tiroteios e golpes na cabeça com armas de impacto”.

Fonte: Bol.com.br

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