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Ruínas de aldeias missioneiras revelam passado de lutas na Argentina

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A cidade de San Ignacio é pouco mais do que um vilarejo às margens da Ruta Nacional 12, na Província argentina de Misiones. Guarda, porém, uma riqueza inestimável: as mais bem preservadas ruínas das missões jesuíticas que, nos séculos 17 e 18, abrigaram o povo guarani no que é hoje o território argentino.

Diferentemente do que ocorre com as ruínas missioneiras no sul brasileiro, o conjunto de prédios construídos com grandes blocos de pedra está encravado no centro urbano do município. Basta atravessar uma rua e o visitante deixa para trás bares, restaurantes e lojinhas que vendem mate, alfajores e “recuerdos” para mergulhar nos restos de uma história de esperança e brutais conflitos.

Para brasileiros, a entrada no conjunto –que inclui um museu de arte sacra produzida pelos índios e pelos religiosos– custa 130 pesos (cerca de R$). À noite, diariamente, há um espetáculo de luz e som cujo ingresso também custa 130 pesos.

A aldeia de San Ignacio Miní é um dos 30 povoados criados por jesuítas espanhóis que se dedicaram à catequese do povo nômade guarani, sempre em movimento na busca de sua sonhada “terra sem males”. Há no Brasil, na Argentina e no Paraguai conjuntos de ruínas que testemunham essa história.

As ruínas de San Ignácio Miní servem de exemplo da organização urbana vigente nas aldeias, que se estruturavam em torno de grandes praças. Bem na frente ficavam os alojamentos dos guaranis. Como todo o resto, são construções erguidas com grandes pedras e posicionadas de forma simétrica, precursora, digamos assim, dos conjuntos habitacionais de hoje.

Os prédios eram organizados em filas e colunas, cujo número crescia conforme a necessidade –em San Ignacio, chegaram a viver mais de 3.000 pessoas.

Depois da área das moradias dos índios, abria-se a praça principal do povoado –em torno dela, construções onde eram realizados os trabalhos manuais. Ao fundo, protegidos por toda a aldeia, os prédio mais importantes: a igreja, a casa dos padres, o refeitório, o cemitério…

A casa religiosa em San Ignacio é bem mais simples e austera do que as ruínas mais conhecidas dos brasileiros, o monumental pórtico da das ruínas da igreja em São Miguel (próximo a Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul). Mesmo assim, a porta de entrada casa de orações é encimada por esculturas e desenhos especiais. E o conjunto ganha imponência pelo seu grau de preservação. Na década de 1940 houve um amplo trabalho de restauro.

Guias acompanham, sem custo extra, a visita de grupos formados a intervalos irregulares, conforme a demanda.

Editoria de Arte/Folhapress

Na segunda metade do século 18, os jesuítas foram expulsos da região, a mando de Espanha e Portugal. Depois de uma série de invasões, os povoados acabaram destruídos. Sobraram os restos dos prédios que, como testemunhas de um projeto de sociedade, foram declarados pela Unesco Patrimônio Cultural da Humanidade.

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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