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Um mês após terremoto no Nepal, sobreviventes tentam refazer suas vidas

Jovens monges budistas carregam caixas de ajuda humanitária em um campo de sobreviventes do terremoto do Nepal, em Katmandu, no dia 22 de maio de 2015. Foto: AFP/Arquivos Ishara S.KODIKARA
Jovens monges budistas carregam caixas de ajuda humanitária em um campo de sobreviventes do terremoto do Nepal, em Katmandu, no dia 22 de maio de 2015. Foto: AFP/Arquivos Ishara S.KODIKARA

Katmandu (AFP) – Alojado num monastério budista em Katmandu, Nima Lama segura um rosário e lembra de sua família – perdida na avalanche de rochas e gelo causada pelo devastador terremoto de um mês atrás.

Sua esposa e seus pais estão entre as centenas de vítimas de uma enorme avalanche que varreu o Vale Langtang, um lugar muito visitado por alpinistas, após o terremoto de magnitude 7,8 ocorrido em 25 de abril.

“Foi como se uma bomba tivesse explodido. Me escondi atrás de uma rocha, enquanto pedras caíam por todos os lados”, recorda este guia de 35 anos, enquanto os monges entoavam orações pelos mortos.

Mais de 8.600 pessoas morreram após o terremoto principal, que foi seguido por um tremor violento em 12 de maio. Quase meio milhão de casas foram destruídas.

A avalanche destruiu o acesso ao circuito de trekking de Langtang, que empregava centenas de moradores. Os dois cafés construídos por Lama também foram destruídos.

O vale, conhecido por sua beleza, tornou-se um cemitério e a aldeia de Langtang ficou soterrada por pedras e gelo.

Lama e outros cidadãos se juntaram para remover os escombros em busca de sobreviventes e vítimas. Mais de 500 pessoas das aldeias vizinhas tiveram de ser evacuadas.

“Era como se alguém com uma vassoura viesse e varresse tudo. Quando entrei não conseguia nem dizer onde estava, tudo estava soterrado”, conta Lama, que escapou porque estava em um vilarejo próximo no dia do terremoto.

– “Não conseguiremos sozinhos” –

Alojado num monastério budista em Katmandu, Nima Lama segura um rosário e lembra de sua família - perdida na avalanche de rochas e gelo causada pelo devastador terremoto de um mês atrás. Foto: AFP/Arquivos Ishara S.KODIKARA
Alojado num monastério budista em Katmandu, Nima Lama segura um rosário e lembra de sua família – perdida na avalanche de rochas e gelo causada pelo devastador terremoto de um mês atrás. Foto: AFP/Arquivos Ishara S.KODIKARA

Os riscos de deslizamentos de terra após os tremores obrigaram milhares de sobreviventes a fugirem de suas casas.

Lama, que está com outros aldeões em um centro de refugiados na capital, não pode retornar enquanto as autoridades não descartarem o risco de novas avalanches.

O coordenador humanitário da ONU para o Nepal, Jamie McGoldrick, advertiu que o tempo está contado para entregar a ajuda aos sobreviventes antes da chegada das monções.

Especialistas temem que a destruição de culturas, sistemas de irrigação e a morte de animais possa causar um aumento nos preços dos alimentos.

“Com a chegada das monções, é provável que as cadeias de abastecimento sejam quebradas devido aos deslizamentos de terra”, informou em seu blog o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD).

De acordo com Chandan Sapkota, economista do BAD no Nepal, o crescimento pode cair para 3,8%, ante os 5,2% em 2014, devido à queda na produção agrícola e as chegadas de turistas mais baixos.

O Nepal, onde o orçamento anual é de 6,4 bilhões de dólares, precisará receber assistência por um longo tempo, estima McGoldrick.

Para sobreviventes como Lama, esta ajuda é crucial.

“Somos todos uma só voz, queremos voltar para nossa aldeia. Mas não temos mais nada e não podemos fazer a sozinhos nossa própria reconstrução”, explica.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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