Agência do HSBC no Recife paralisa atividades após anúncio de encerramento de atividades

O anúncio do possível encerramento das atividades no Brasil do banco HSBC, pela direção da instituição, na manhã de hoje, já começa a causar efeitos imediatos onde o banco atua, incluindo Pernambuco. Uma das agências, localizada na Avenida Agamenon Magalhães, resolveu paralisar as atividades por 24h como forma de protesto no intuito de garantir uma resposta da direção do banco sobre o futuro dos cerca de 300 funcionários, distribuídos em sete agências bancárias em todo o estado. De acordo com Alan Patrício, funcionário do HSBC, membro da Comissão de Organização de Empregados (COE) do banco e um dos diretores do Sindicato dos Bancários no estado, nenhum dos dez funcionários da agência Agamenon Magalhães bateu o ponto eletrônico e não há expediente bancário. Segundo ele, a gerência geral da agência está explicando aos correntistas e clientes a atual situação e uma possível volta ao trabalho amanhã. No entanto, não há qualquer garantia de que a agência volte a operar e a tendência é de que outras unidades cruzem os braços em função da causa, em um ato de greve geral, até que haja uma reposta oficial da direção geral do banco no país.

“Nós ainda não sabemos os detalhes desta operação e tampouco um comunicado da direção geral do banco no Brasil. Entendemos que operações como esta, de venda de um banco, são normais e fazem parte do mercado financeiro. Mas entendemos também que devemos ter o mínimo de garantias de que os empregos serão preservados, a exemplo de outros casos semelhantes que já ocorreram”, explicou Patrício.

Segundo ele, nas últimas semanas uma comissão formada por membros do banco e do movimento sindical, entre eles a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), esteve em Brasília e visitou o Congresso Nacional sinalizando a preocupação com a situação do HSBC no Brasil. O grupo entregou a senadores e deputados, ligados a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as consequências no Brasil do escândalo de fraudes em que o HSBC se envolveu (conhecido como Swissleaks), um memorial sobre a importância da instituição bancária e questionamentos junto ao Banco Central (BC) e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

“O presidente do HSBC no Brasil, André Brandão, foi a Londres para reuniões com a direção do banco, mas até agora não respondeu ao movimento sindical os questionamentos e dúvidas. Nosso alerta é de que, caso seja realmente decretado o fim das atividades do HSBC no Brasil, o governo tome posse da responsabilidade e segure os milhares de empregos. Ainda não temos nenhum posicionamento do BC e do Cade a respeito do assunto. O objetivo é garantir os empregos e evitar prejuízos a milhares de famílias”, pontuou Patrício.

Outra tentativa de evitar a derrocada do HSBC no Brasil, de acordo com o dirigente, foi uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Paraná, na semana passada, uma vez que a sede do banco no Brasil fica em Curitiba. Dos cerca de 22 mil funcionários distribuídos em 895 agências bancárias no país, aproximadamente 7 mil estão concentrados na capital paranaense. Hoje, inclusive, também estão ocorrendo paralisações em algumas agências. Em Curitiba, segundo Alan Patrício, cerca de 4 mil funcionários cruzaram os braços como protesto em quatro locais, entre agências e órgãos de direção, como superintendências regionais.

“O movimento sindical está acompanhando com muita atenção e apreensão esta questão do HSBC aqui no Brasil. Envolve uma grande quantidade de funcionários e, como foi pontuado antes, precisamos ter uma garantia de que os empregos serão preservados. Hoje, a mobilização é de 24h, mas não está descartada uma greve geral dos funcionários do banco em todo o país até que os questionamentos e dúvidas comecem a ser esclarecidos”, destacou Patrício.

Procurada pela reportagem do Diario, a assessoria de comunicação do HSBC no Brasil enviou um comunicado sobre a questão. No documento, o banco informa que “o HSBC Holdings confirmou esta manhã no seu Investor Day, em Londres, que pretende vender a sua operação no Brasil, mas planeja manter a presença para atender aos clientes corporativos de grande porte em suas necessidades internacionais”. Além disso, a nota oficial destaca que “o HSBC Brasil está em um processo de venda, não de encerramento de suas operações no país, e segue operando normalmente”. O comunicado ressalta, ainda, que “mesmo após a venda, seguirá prestando serviços aos seus clientes” e que está “empenhado em garantir a continuidade do negócio e uma transição suave e coordenada para um potencial comprador”.

Possível encerramento

O banco HSBC anunciou hoje que pretende vender e encerrar as atividades no Brasil e na Turquia, mas planeja manter participação nacional para atender a grandes clientes corporativos. Segundo o comunicado, o banco pretende economizar entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5 bilhões até 2017 com o plano de reestruturação. O HSBC Brasil é parte da HSBC Holdings, uma das maiores instituições financeiras mundiais, com 2,6 trilhões de dólares em ativos e mais de 51 milhões de clientes em 73 países.

De acordo com o informe, o HSBC quer aumentar seus investimentos na Ásia, principalmente na China e na região da Associação de Nações do Sul Asiático (Asean), por meio da expansão do gerenciamento de ativos e de seguros com foco nos mercados emergentes.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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