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Após proposta grega de referendo, credores rejeitam estender ajuda

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Os países da zona do euro rejeitaram a proposta da Grécia de prorrogar a dívida que vence terça-feira (30) para a realização de um referendo no país no dia 5 de julho.

Os chefes das 19 economias do bloco da moeda única se encontraram em Bruxelas neste sábado (28).

Sem ser atendido, o ministro grego, Yanis Varoufakis, deixou o local na metade da reunião.

A Grécia precisa evitar o calote de € 1,6 bilhão no FMI (Fundo Monetário Internacional) até terça.

Irritado, o presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem, anunciou a decisão e afirmou que o governo grego “fechou as portas” ao propor um referendo de última hora.

“O referendo foi um avanço negativo, e a Grécia rompeu as negociações com isso”, disse Dijsselbloem.

Segundo ele, não há garantias de que o governo vai implementar o acordo mesmo que a população vote a favor.

O anúncio de uma votação popular foi feito sexta (26) à noite pelo primeiro-ministro, Alexis Tsipras, diante do impasse nas negociações.

O Parlamento grego, onde o governo em tese tem maioria, deve votar ainda neste sábado a proposta de referendo.

Sem adiar a dívida, a Grécia caminha para o calote e, pela primeira vez em cinco anos, pode ficar sem ajuda externa, aumentando as chances de ter de deixar a zona do euro.

O efeito imediato será conter a insolvência dos bancos locais.

Jornais gregos relatam grandes filas nos caixas eletrônicos neste sábado, crescendo o fluxo de saques que superaram € 5 bilhões nas duas últimas semanas. Alguns bancos já estariam limitando retiradas.

COMPROMISSOS FISCAIS

Para pagar a dívida com o FMI, a Grécia quer desbloquear o acesso a € 7,2 bilhões, última parcela do socorro de € 240 bilhões recebido do FMI e do BCE (Banco Central Europeu) desde 2010.

Para liberar o recurso, os credores exigem uma série de compromissos fiscais que a Grécia não quer aceitar.

O primeiro-ministro diz ter feito uma proposta de ajuste de € 7,9 bilhões, rejeitada pelos credores, que cobram mais cortes e uma reforma profunda no sistema previdenciário.

Na noite de sexta (26), Tsipras, do partido de esquerda Syriza, foi à televisão anunciar que decidira deixar nas mãos dos gregos aceitar ou não as exigências.

Para tanto, a população terá apenas uma semana para entender os termos negociados e votar.

Eleito em janeiro sob a bandeira contra medidas de austeridade, Tsipras vive o dilema de topar um acordo que contradiz seu discurso ou levar o país a um caminho cada vez mais distante da zona do euro.

No seu discurso de anúncio do referendo, ele deixou claro que torce para que a população vote pela segunda opção.

“Devemos responder calmamente e decisivamente com democracia ao autoritarismo e à dura austeridade”, disse Tsipras.

O premiê faz uma aposta de risco político: se a população optar pela negociação, Tsipas vai aceitar algo, segundo suas palavras, “humilhante” para a Grécia.

Para a oposição, ele tenta dividir com os gregos o ônus de uma decisão que deveria tomar como premiê.

O governo grego rejeitou na sexta uma última oferta dos países da zona do euro de prorrogar por mais cinco meses a dívida em troca de receber uma ajuda de € 16,3 bilhões.

O novo socorro dependeria, no entanto, de a Grécia concordar com as reformas.

FMI e BCE cobraram, entre outras coisas, que parte das medidas de austeridade passe a valer a partir de julho, e não em outubro, como queriam os gregos.

Os credores querem, por exemplo, que o país suba de 0,4% para 1% do PIB a arrecadação em 2015 com a reforma previdenciária. Pedem também que a receita com a reforma do IVA, o imposto sobre valor agregado,
seja de 1% do PIB, enquanto Atenas não aceita passar de 0,93%. Para FMI e BCE, o governo tem de dobrar o corte previsto de € 200 milhões nos gastos com Defesa.

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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