Apple quer finalizar acordo de streaming antes de evento, dizem fontes

(Bloomberg) – Poucos dias antes de apresentar um serviço de streaming de música, a Apple Inc. ainda está negociando as condições com os selos discográficos.

Os selos estão pressionando para obter uma fatia de receita maior do que a que recebem pelos acordos vigentes com a Spotify Ltd., um serviço concorrente de streaming, disseram pessoas com conhecimento das negociações. Ambos os lados querem finalizar o acordo antes do evento anual da Apple do dia 8 de junho, em São Francisco, para mais de 5.000 desenvolvedores, de acordo com as pessoas, que pediram anonimato porque as negociações estão em andamento.

A rápida ascensão dos serviços de música e televisão por streaming aumentou os interesses em jogo das empresas de mídia e os selos discográficos e canais de TV estão tentando fechar acordos que lhes garantam uma participação nesse crescimento. A Apple quer continuar sendo a parceira mais importante do setor de entretenimento, apesar da popularidade de serviços como Spotify, Netflix Inc. e outros.

“Quem vai ter a participação majoritária nos lucros obtidos com os conteúdos?”, disse Tamara Gaffney, diretora da Adobe Digital Index, que analisa o consumo em meios digitais. “A Apple sempre quis obter uma participação grande e agora está em negociações com produtores de conteúdo que também querem ficar com uma fatia maior da participação – é um ambiente realmente duro”.

Nas negociações com a Apple, os selos estão buscando uma referência para negociar com outros serviços, inclusive com Spotify. Os selos ficam com 55 por cento da tarifa mensal da Spotify, que custa US$ 9,99, e as editoras ficam com cerca de 15 por cento. Os selos estão pressionando para obter da Apple um valor mais próximo de 60 por cento, disseram as fontes.

A Apple, a Universal Music Group, da Vivendi SA, a unidade de entretenimento musical da Sony Corp.e a WarnerMusic Group, da Access Industries Holdings, não quiseram comentar sobre as negociações.

Serviços concorrentes

A Apple, que subverteu a indústria musical há mais de uma década vendendo músicas soltas pela internet, ajudou os artistas a atingirem níveis mais altos de estrelato através do serviço iTunes e de comerciais e promoções. Embora a Apple continue sendo a maior loja de música do mundo, seu reinado em ditar tendências está sendo ameaçado pelo YouTube, do Google Inc. e pelo Spotify.

Esses serviços de streaming ainda precisam compensar os prejuízos ocasionados pela queda nas vendas de download de música e de discos físicos, e os selos dizem que o YouTube e o Spotify precisam se empenhar mais para conseguir que os usuários paguem. No entanto, se essa tendência continuar, a receita gerada com o streaming de música será maior do que a obtida com os downloads, de acordo com a MusicWatch.

O crescimento em tempo e dólares gastos em reproduzir música por streaming foi um motivo importante para que a Apple comprasse a Beats Electronics por US$ 3 bilhões no ano passado. Os fundadores da Beats, Jimmy Iovine, ex-presidente do selo Interscope Geffen A&M, e o rapper e produtor Dr. Dre, se uniram à Apple para ajudar a renovar os negócios de música da empresa de tecnologia, junto com outros músicos e DJs proeminentes.

Aplicativo de música

O novo aplicativo de música da Apple incluirá o serviço por assinatura, os downloads e uma nova versão do rádio iTunes, disseram as pessoas. Ele também terá alguns vídeos exclusivos dos bastidores. Os artistas costumam abrir as portas do estúdio a fotógrafos e cinegrafistas e a Apple contratou executivos para ajudar a filmar e produzir vídeos das sessões de gravação com os artistas que estiverem dispostos.

O aplicativo também terá páginas dos artistas – que costumam ser vistas como promocionais – que podem ser usadas para hospedar vídeos, músicas e outros conteúdos gratuitos. Esta parte do programa se chama Apple Connect e a empresa compensará os artistas e os selos pelas músicas que eles cederem, como aconteceu com o recurso do iTunes que oferece uma música gratuita por semana.

As negociações da Apple com os selos atraíram a atenção das autoridades antitruste dos EUA. A Comissão Federal de Comércio (FTC) dos EUA começou a investigar se a Apple está usando sua posição como maior loja de download de músicas para colocar os serviços concorrentes de música em desvantagem, disse uma pessoa com conhecimento das ações da FTC.

Título em inglês: ‘Apple Said to Push to Complete Streaming Music Deal Before Event’

Para entrar em contato com os repórteres: Lucas Shaw, em Los Angeles, lshaw31@bloomberg.net; Tim Higgins, em São Francisco, thiggins21@bloomberg.net

Fonte: Bol.com.br

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