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CPI visita bairros que foram palco de chacinas em São Paulo

São Paulo – Membros da comissão parlamentar de inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados que investiga a violência contra jovens negros e pobres de bairros da periferia visitaram nesta segunda-feira, na capital paulista, os bairros Jardim Rosana e Jardim Iracema. A comissão ouviu, nos dois bairros, relatos de parentes de vítimas da violência e integrantes de movimentos de resistência à criminalidade.

No Jardim Rosana, sete pessoas morreram e duas ficaram feridas em janeiro de 2003. Um dos mortos na chacina foi Laercio de Souza Grimas, o DJ Lah, do grupo Conexões do Morro. No Jarim Iracema, em marços deste ano, 12 pessoas foram alvejadas.

O vice-presidente da CPI e coordenador no estado de São Paulo, Orlando Silva (PCdoB-SP), explicou que o trabalho da comissão tem várias etapas, começando com um estudo dos dados e estatísticas oficiais dos governos federal e estaduais. Em seguida, são ouvidos especialistas no tema, líderes jovens, prentes de pessoas que estiveram em chacinas e atos graves. Depois, vem a fase do território, na qual os integrantes da CPI visitam locais emblemáticos, onde ocorreram os atos.

“As mortes vão muito além dos números e estatísticas: são vidas e famílias que são violadas gravemente. Portanto, o sentido de estar aqui é ouvir um pouco da experiência de comunidades que enfrentam situações alarmantes de violência no seu cotidiano”, disse Silva. Segundo o deputado, a CPI levará as reivindicações da comunidade ao governo estadual e estudará com o Ministério Público a possibilidade de fazer deslocamento de competência para que os casos sejam apurados no âmbito federal.

Na noite desta segunda-feira, a CPI fará uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo para encerrar seus trabalhos no estado. Rosângela Sales Santos Silva é mãe de Bruno Wagner, morto aos 18 anos uma das chacinas. Ela contou que o rapaz havia saído de casa para comprar uma pizza e, ao passar por uma praça, foi atingido por sete tiros. “Ouvi um tiroteio e me assustei. Depois, soube que os atiradores, que estavam vestidos de preto e encapuzados, chegaram procurando uma pessoa que estava escondida e, quando essa pessoa apareceu, começaram a atirar muito”.

De acordo com Rosângela, o caso ainda não foi solucionado. O secretário nacional de Juventude da Secretaria Geral da Presidência da República, Gabriel Medina, ressaltou que entende que o tema da violência tem que ter nível de prioridade de acompanhamento estratégico. “Temos tentado construir isso. Além das ações de prevenção mais estruturais e universalizantes nós temos que ter uma punição especial para jovens que já estão envolvidos no crime”.

Originalmente matéria publicada no Jornal O Dia (http://odia.ig.com.br)

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