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Diretor de 'O Sexto Sentido' chega à TV com a tensa 'Wayward Pines'

Spoiler, essa praga, não parece problema para o diretor e roteirista indo-americano M. Night Shyamalan. Caso contrário, ele não faria a revelação do mistério que sustenta boa parte de “Wayward Pines”, suspense sci-fi que marca sua estreia nas séries de TV, em seu quinto episódio, bem no meio da história (são dez).

O diretor de filmes construídos em cima de surpresas, como “O Sexto Sentido” (1999) e “A Vila” (2004), disse em entrevistas à mídia americana que, no arco narrativo, faz sentido revirar a trama na metade e que tem fôlego para manter o espectador atento até o fim.

Wayward Pines

Em se tratando de Shyamalan, é possível que a aposta se pague –no mínimo, ele se libertaria mais cedo da expectativa por um grande mistério que ronda suas produções, abrindo espaço para tentar algo novo. A questão é se de fato o diretor tem algo a mostrar além de sua habilidade em surpreender.

Os quatro episódios iniciais são promissores. O galã dos anos 1980 Matt Dillon é o agente do serviço secreto Ethan Burke, incumbido de investigar o sumiço de dois colegas na cidadezinha de Wayward Pines, perdida no meio do Estado de Idaho.

Após um acidente de carro, ele acorda no hospital do lugarejo sob assistência de uma enfermeira de ares diabólicos (Melissa Leo, de “O Lutador”, errando o tom) e assombrado por um xerife ditatorial (o ótimo Terrence Howard, de “Empire”).

Se o hospital é inóspito, a cidade é pior: um “Show de Truman” às avessas, habitada por gente metodicamente feliz, que segue regras absurdas em nome de um bem maior. Sair dali parece impossível; contatar a família ou retomar a vida pregressa, fora de questão –é vetado lembrar do passado, dizem as normas locais. Movimentos e conversas são incessantemente monitorados.

Há ecos de David Lynch (inevitável não pensar em “Twin Peaks”) e de crítica social, com uma bem construída alegoria da intolerância em uma sociedade fechada em si, na qual a ordem perfeita, a segurança dos bons cidadãos, é mantida por meio de justiçamentos e privações.

Questões como messianismo, medo do diferente e capacidade autodestrutiva da nossa espécie também são costuradas à trama de forma esperta, mas às vezes ostensiva demais para um terror psicológico.

“Wayward Pines” é, em essência, uma distopia, e parece haver distopias demais na TV recente (“Lost”, “Walking Dead”, “Under the Dome”, “Orphan Black, “The Leftovers”, “Sense8 ). Como sobressair?

Há 15 anos Shyamalan mantém um pequeno mas fiel séquito de fãs entre público e crítica, e um número maior de pessoas nesses dois grupos que se pergunta por que ele foi catapultado ao estrelato tão cedo.

Somando ingredientes de televisão aberta a elementos mais sofisticados da TV-de-autor e um elenco apurado (ainda há Juliette Lewis, Hope Davis e Carla Gugino), “Wayward Pines” é sua maior investida para reconquistar esse público. Só não precisava ser tão insistente.

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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