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Dólar cai mais de 1% com mercado à espera da ata do BC sobre juros

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O dólar fechou em queda nesta segunda-feira (8), com baixo volume de negócios após o feriado de Corpus Christi, na semana passada, e com os investidores à espera da ata da última reunião de política monetária do Banco Central, em busca de pistas sobre o rumo da taxa básica de juros do país.

A moeda americana à vista, referência no mercado financeiro, teve desvalorização de 1,14% sobre o real, cotado em R$ 3,122 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, cedeu 1,26%, para R$ 3,111.

O dólar perdeu força ante a maioria das divisas internacionais, após a agência Bloomberg ter citado uma autoridade francesa dizendo que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, teria dito aos países do G-7 que o dólar forte seria um problema. A Casa Branca mais tarde negou que o presidente teria feito essa declaração.

O fortalecimento do dólar tende a encarecer produtos americanos para seus parceiros comerciais, atrapalhando a retomada da maior economia do mundo. Esse tema ganha ainda mais relevância em um momento em que o Federal Reserve (banco central dos EUA) avalia os indicadores econômicos para decidir quando elevar os juros naquele país, decisão que pode atrair para os EUA recursos atualmente aplicados em outros mercados.

“Além da ressaca do feriado, temos que considerar que o mês de junho historicamente tem um volume de negócios menor por causa do período de férias nos EUA”, disse Wagner Caetano, diretor da escola de investimentos Top Traders. Segundo ele, a fraca agenda de indicadores também influenciou o mercado nesta sessão.

“O aumento na expectativa de inflação trazido pelo relatório Focus já está sendo considerado nos preços dos ativos brasileiros e no mercado de câmbio, assim como o desaquecimento da economia do país”, afirmou o especialista.

O Boletim Focus do Banco Central divulgado nesta segunda-feira mostrou que as instituições consultadas esperam uma alta de 8,46% para o IPCA (índice oficial da inflação no Brasil) ao fim deste ano, contra 8,39% na semana anterior, na oitava semana seguida de piora do cenário.

Os investidores esperam pela divulgação, na quinta-feira (11), da ata do Copom. O foco recai sobre o rumo da Selic (taxa básica de juros), que foi elevada a 13,75% ao ano na semana passada. Uma parcela dos analistas aposta que haverá novo aumento em julho, visto que a inflação no país segue acelerando.

Segundo operadores, também contribuiu para a queda do dólar a fala da presidente Dilma Rousseff publicada pelo jornal “O Estado de S.Paulo”, em que ela defende o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. “Não se pode fazer isso, criar um Judas. […] É bem típico e uma forma errada de resolver o problema”, disse. “A responsabilidade não é exclusiva dele.”

Investidores seguiram monitorando a postura do Banco Central brasileiro em relação às ofertas de swap cambial (operação que equivale à venda futura de dólares), após a autoridade monetária sinalizar que seguirá fazendo neste mês rolagem parcial do lote de contratos que vence em julho. O BC rolou nesta sexta-feira 7.000 contratos de swap, em uma operação que movimentou US$ 342,3 milhões.

BOLSA

No mercado de ações, o principal índice da Bolsa brasileira atravessou um dia instável, oscilando boa parte do tempo perto da estabilidade. Mais perto do fim do pregão, a queda das ações da Vale e do Itaú acabou puxando o desempenho do Ibovespa para o vermelho.

A desvalorização foi de 0,31%, para 52.809 pontos. O volume financeiro foi de R$ 5,036 bilhões, também afetado pelo menor número de negócios por causa do feriado de Corpus Christi, na semana passada. O volume médio diário no mês passado foi de R$ 7,200 bilhões. Em junho, está em R$ 6,186 bilhões.

O Itaú Unibanco viu suas ações fecharem em baixa de 0,42%, para R$ 33,01, enquanto o papel preferencial do Bradesco, sem direito a voto, avançou 0,15%, para R$ 27,58. Ambos chegaram a ter alta de mais de 1,5% ao longo do dia. Já o Banco do Brasil desvalorizou-se 0,45%, a R$ 22,23.

A perda da Bolsa foi ampliada com a baixa da mineradora Vale, cujas ações preferenciais recuaram 3,18%, para R$ 17,05 cada uma. A empresa refletiu negativamente dados que mostraram queda nas importações da China em maio acima das expectativas. O país asiático é o principal destino das exportações da companhia.

Em sentido oposto, a Rumo Logística encabeçou a lista das maiores altas do Ibovespa, com avanço de 4,51%, para R$ 1,39, com o mercado na expectativa pelo anúncio do programa de concessões de infraestrutura, incluindo aditivos para a renovação dos contratos atuais de ferrovias.

“Um dos planos que pode ser incluído no pacote é o da Rumo Logística”, disse a Guide Investimentos em relatório. Também do setor de infraestrutura, CCR ganhou 0,71%, para R$ 15,67.

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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