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Educação, motor da economia

O Brasil investe 5,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação. Acima da média de 5% dos países mais desenvolvidos do mundo. Os recursos não garantem o salto para a educação de qualidade, que vai formar mão de obra qualificada, alavancar a produtividade e o crescimento econômico.

Projeção feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entidade internacional que reúne o clube de países ricos, estima que o PIB verde-amarelo de R$ 5,5 trilhões poderia ser sete vezes maior com educação básica universal, ou seja, todas as crianças até 15 anos na escola. A OCDE mensurou o desempenho dos estudantes brasileiros nos testes do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), que avalia o raciocínio lógico em matemática e ciências. Ficamos na rabeira (60ª posição) do ranking de 76 países.

O professor Fernando Veloso, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), diz que o efeito multiplicador da educação na economia é direto. “Um trabalhador com educação melhor é mais qualificado, mais produtivo e produz com melhor qualidade. Num mundo globalizado essa habilidade se torna importante.” Segundo ele, o Brasil avançou na educação básica, mas está muito longe de atingir a meta do Ideb até 2021, que prevê o nível de qualidade educacional (nota 6) nos anos iniciais do ensino fundamental.

Uma prova que o entrave não é apenas a falta de dinheiro. Carlos Arruda, coordenador do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral (FDC), coloca o dedo na ferida: “Os recursos são mal distribuídos. Vão mais para a educação superior e menos para a educação básica. A educação pública é de baixa qualidade, bem como o perfil das escolas e a formação dos educadores.”

Para projetar o potencial de crescimento econômico dos países, a OCDE usou como base o desempenho escolar dos estudantes de 15 anos em matemática e ciências. Os países que estão no topo da lista são Cingapura, Hong Kong e Coréia do Sul. O economista e consultor Écio Costa cita o boom de crescimento econômico dos Tigres Asiáticos. “O investimento em educação se transforma em capital humano e pode ser incorporado à produção de bens.” Costa diz que o governo poderia ser estimulado pela avaliação da OCDE para melhorar o padrão de ensino e reverter a posição no Pisa e um dia entrar para o clube dos mais desenvolvidos.

O professor do Departamento de Economia da Universidade Federal de Pernambuco, Paulo Vaz, destaca que só os investimentos em educação não geram crescimento econômico. Ele aponta outros fatores combinados, como a estabilidade macroeconômica, os investimentos em capital físico e o aumento da produtividade. “No Brasil, o investimento em capital físico é metade do da Ásia. A produtividade total no país não cresce desde a década de 1980.”

Competitividade ladeira abaixo
As deficiências de educação rebatem na competitividade do país. Pelo quinto ano seguido, o Brasil perde posições no ranking do Índice de Competitividade Mundial (ICM), produzido pelo International Institute for Management Development e pela Fundação Dom Cabral. Hoje, o país ocupa a 56ª posição. Está à frente apenas da Mongólia, Croácia, Argentina, Ucrânia e Venezuela. Não é só a educação. A desaceleração da economia é um dos fatores da queda. Em seguida, vem a infraestrutura deficitária e a ineficiência do governo, puxada pela alta carga tributária e a legislação trabalhista pouco flexível.

“Em relação à competitividade no futuro, quanto mais desenvolvido o país terá mais indústria inovadora, que gera valores agregados. A relação é direta entre a capacidade de geração de mão de obra qualificada com a capacidade de geração de valor (produção). O modelo educador é que revela o potencial da economia”, destaca Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral.

Arruda diz que os resultados do teste do Pisa usados no estudo da OCDE mostram que a nossa capacidade de gerar inovação vai ser mais restrita comparada com os países mais desenvolvidos. Resultado: o brasileiro terá mais dificuldade de trabalhar com tecnologia mais avançada, robotização e digitalização, principalmente na indústria e na agricultura. “Há um descompasso entre a mão de obra gerada e a demanda da economia. A relação da educação com a produtividade é direta”, finaliza.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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