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Em noite de homenagens a Bethânia, só Alcione chega a altura da baiana

Foi a melhor festa de aniversário que Maria Bethânia podia ter. A MPB inteira estava lá para homenagear a maior cantora brasileira, que completa 50 anos de carreira, no Prêmio da Música Brasileira, que lotou o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, na noite desta quarta-feira (10).

Como ela não é de ficar parada, trabalhou muito na própria homenagem, abrindo e fechando a cerimônia de três horas cantando seus clássicos. Desce de uma baleia prateada no palco, canta “Carcará” que a revelou ao Brasil em 1965, e agradece a João do Vale, Zé Keti e Nara Leão – ela substituiu Nara no show “Opinião”, que a consagrou.

Um pouco nervosa, acabou errando a letra de “O Quereres“, obra-prima de Caetano Veloso. “Eu tinha que errar… Impossível não errar. Mil perdões… Uma música linda do meu irmão”, se desculpou.

Inúmeros cantores e compositores que já escreveram letras por Bethânia deram suas versões para as músicas da diva – o problema é que é difícil superar Bethânia, e as versões novas ficaram quase sempre abaixo da gravação original da baiana. Arnaldo Antunes, Adriana Calcanhotto e Chico César, num momento emocionante; Nana e Dori Caymmi; Zélia Duncan, Fabiana Cozza e Roque Ferreira; Mônica Salmaso, Lenine, Mariene de Castro cantaram bonito. Mas era preciso esquecer que Bethânia pairava sobre eles, na voz superior e no telão ao fundo do palco.

A única que se mostrou à altura da rainha foi Alcione, rasgando uma voz ainda potente na dor-de-cotovelo “Negue” – foi aplaudida de pé com a performance. Mais tarde, quebrou o protocolo, tomou o microfone dos apresentadores, Alexandre Nero e Dira Paes, e mandou: “Estamos aqui para homenagear a diva mais divada desse país tão divo.” Contou um causo da amizade entre as duas e comemorou que Bethânia será o tema do samba-enredo da Mangueira no ano que vem.

Caetano fez uma rápida e singela homenagem, no banquinho e violão, com duas músicas. A primeira estava prevista: “É de manhã“, primeira canção de sua autoria gravada pela irmã. A segunda, inesperada, é a pouco conhecida “Queda d´Água“, de 1979, em que canta: “Havia ali a presença toda sã / de minha irmã e coisa mais que azul”. Gilberto Gil esteve lá, foi premiado, mas não cantou. Gal Costa nem apareceu – ciúmes por também fazer 50 anos de carreira e não ser homenageada?…

Os atores também brilharam no manancial de Bethânia. Nervosa, Renata Sorrah deu conta do famoso monólogo de Fauzi Arap que antecede “Um jeito estúpido de te amar” – aquele que começa com “Eu vou te contar que você não me conhece…”. Matheus Nachtergaele declamou o “Poema do menino Jesus” emocionado antes de descer do palco e ir até a plateia abraçar a homenageada.

Ao final, Bethânia sobe ao palco para abraçar e agradecer, como manda o nome de sua última turnê. Uma fila com todos os artistas da noite se forma para cumprimenta-la no palco. Há muito tempo não se via tantos súditos em fila para cumprimentar uma rainha. Para encerrar, ela faz uma inesperada ode feminista: “50 anos. Tem que ser mulher.”

Fonte: Bol.com.br

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