Escolas de SP se inspiram em série criminal para ensinar

Na sala de aula, os alunos aprendem a calcular o alcance de um esguicho de sangue após um tiro, a trajetória de uma bala e quanto tempo uma droga pode deixar vestígios no organismo. Colégios paulistas têm se inspirado em séries de TV de investigação criminal para criar cursos em que ensinam química, física, matemática e biologia.

No Colégio Bandeirantes, na zona sul da capital, os alunos do 9º ano foram levados na primeira aula para uma sala escura com um “corpo” estirado no chão – um dos professores encenando um crime. Os estudantes aprenderam a isolar a área, fazer registros fotográficos da vítima e das evidências e contornar o corpo com fita crepe.

Apesar de o “primeiro caso” ter sido fictício, os alunos também aprendem com crimes reais. A escola já usou, por exemplo, o homicídio da advogada Mércia Nakashima, morta pelo namorado em 2010.

“Os casos reais intrigam ainda mais os alunos. Decidimos usar esse caso porque uma das principais provas contra o namorado foi uma alga achada pelos peritos em seu sapato, compatível com a espécie encontrada na lagoa em que o corpo da vítima foi achado”, disse Tiago José Benedito Eugênio, professor de Biologia.

Disputado

Com apenas 22 vagas, o curso extracurricular, com encontros semanais, teve 80 inscritos. A escola fez processo seletivo para identificar os alunos com maior aptidão para trabalhar em grupo. As aulas são interdisciplinares e misturam conceitos de biologia, química, física e matemática. “O curso é o sonho de todos os professores, com alunos atentos, questionadores, que ficam tristes com o fim da aula”, disse a coordenadora do curso e professora de biologia, Cristiana Mattos de Assumpção.

Aos 14 anos, Eleonora Semeraro já sabe que quer fazer faculdade na área de biológicas. “O curso me mostrou toda a parte prática da disciplina. E é incrível.” Entre os experimentos realizados estão a observação da decomposição de um fígado de boi, a análise de impressões digitais e a tipificação de uma amostra de sangue artificial.

Na Escola Estadual Alexandre Von Humboldt, na zona oeste, 40 estudantes dos três anos do ensino médio também participam duas vezes por semana de um curso sobre investigação criminal. “Nessa idade, os alunos têm muito preconceito com matemática, química e física por não conseguir ver a aplicabilidade no seu dia a dia. Foi quando surgiu a ideia de associarmos essas disciplinas com os seriados de grande sucesso”, explicou a professora de Química Cássia de Jesus.

O curso fez a estudante Gabriele Idara, de 17 anos, escolher sua futura profissão. “Agora, penso em prestar vestibular para química.”

No Colégio Humanus, em Sorocaba, interior paulista, o projeto começou em uma aula de Química, mas ganhou apoio de professores de outras disciplinas, como História, Filosofia e Português. Além da investigação criminal, os alunos fazem um júri popular em que defendem e acusam os suspeitos ficcionais e discutem ética.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Bol.com.br

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