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Estado Islâmico destruiu mausoléus em Palmira, diz governo da Síria

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Os militantes radicais do grupo Estado Islâmico (EI) destruíram dois mausoléus históricos na cidade síria de Palmira, disse nesta quarta (24) o chefe do Departamento de Antiguidades e Museus do governo sírio à agência de notícias Associated Press.

Segundo Maamoun Abdulkarim, os extremistas –que tomaram a região há cerca de um mês– destruíram o túmulo de Mohammad Bin Ali, descendente de Imam Ali, primo do profeta do islamismo, Maomé, e reverenciado como santo pelos xiitas.

Os militantes também atacaram a tumba de Nizar Abu Bahaa Eddine, sábio sufi que viveu em Palmira há cerca de cinco séculos e cujo mausoléu ficava perto do sítio arqueológico romano pelo qual a cidade síria é conhecida.

22.jun.2015/Associated Press
Foto publicada em site ligado ao Estado Islâmico mostra explosão de mausoléu em Palmira
Foto publicada em site ligado ao Estado Islâmico mostra explosão de mausoléu em Palmira, na Síria

Fotos divulgadas na segunda-feira (22) por um site ligado ao Estado Islâmico e consideradas autênticas pela Associated Press mostram as explosões nos mausoléus.

Os extremistas do EI são muçulmanos sunitas que seguem uma interpretação radical do Islã –para eles, a visitação de túmulos e santuários religiosos é equivalente a idolatria. Eles veem os xiitas como hereges e os seguidores do sufismo (doutrina mística fora da ortodoxia islâmica) como depravados.

No início da semana, Abdulkarim afirmou ter recebido de Palmira “notícias não confirmadas” de que os militantes pretendiam explodir o principal sítio arqueológico da cidade. Ele disse ter contatado chefes tribais na área para tentar dissuadi-los.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, baseado em Londres, disse ter recebido informações de que os extremistas do EI colocaram minas no site, mas elas não puderam ser confirmadas de maneira independente.

Localizada no centro da Síria, numa região desértica –no país, o apelido da cidade é “Noiva do Deserto”– Palmira é considerada patrimônio da humanidade pela Unesco (órgão da ONU para educação, ciência e cultura).

Antes da eclosão da guerra civil na Síria, em 2011, o lugar, célebre por suas ruínas romanas de 2.000 anos de idade, era visitado por dezenas de milhares de turistas.

Autoridades sírias disseram ter conseguido levar para Damasco centenas de artefatos antes que o EI tomasse a cidade, mas não há como mudar de lugar boa parte das ruínas, e seu destino está nas mãos dos extremistas.

No Iraque, os militantes do EI já saquearam um museu em Mossul e danificaram maciçamente as antigas cidades de Hatra e Nínive, também consideradas pela Unesco patrimônio da humanidade.

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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