Este Cara Já Viu o Iron Maiden 230 Vezes

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Fernando Leal tinha só 16 anos quando testemunhou pela primeira vez o Iron Maiden em toda sua gritante glória de calças coladas. Um colega do pai o levou até o festival Rockódromo, em Madri, para experimentar as luzes, a fumaça e o cheiro de laquê que são parte de qualquer show de metal decente.

Foi a coisa mais intensa que o jovem Fernando já tinha experimentado. Mal sabia ele que acabaria vendo o mesmo espetáculo centenas de vezes nos trinta anos seguintes – 230 vezes, para ser exato -, do México à Austrália.

“É assim que passo minhas férias. Por que ficar sentado numa praia 15 dias seguidos? Seria uma completa perda de tempo”, ele diz.

O caso de amor de Fernando começou em 1987, quando saiu “Somewhere in Time”, o disco temático espacial cheio de sintetizadores do Iron Maiden. Como milhões de outros moleques, ele foi sugado pelos baixos galopantes e pelas imagens macabras da banda. Depois de experimentar isso ao vivo pela primeira vez, Fernando se converteu.

“Assisti a todos os shows na Espanha desde então”, ele me garante, contando que já tomou medidas drásticas para fazer isso. Uma vez, por exemplo, Fernando fugiu pela janela de um quartel militar, usando traje completo de combate, para ir a um show. Até hoje, ele fica um pouco envergonhado em ter aparecido de cabeça raspada.

Fernando Leal
Fernando com Steve Harris, de novo
Fernando com Steve Harris, de novo

Depois de ver a banda algumas vezes em seu país, os shows espanhóis não eram mais suficientes para Fernando Maiden (como ele ficou conhecido na cena do metal da Espanha). Então, em 1998, ele pegou seu passaporte e voou até Londres.

“Foi diferente ver a banda em seu próprio território”, ele me conta.

Curioso para ver como a experiência se traduziria além das fronteiras, Fernando começou a viajar pelo globo para ver o Iron Maiden tocar. Hoje, suas maiores conquistas foram seguir a banda no Japão e na Austrália, além de acabar participando dos clipes deles.

“Assista a ‘Revelations (Flight 666)’, apareço nos primeiros 10 segundos”, ele afirma com orgulho.

Claro, esses rolês do metal não saem barato, mas Fernando tem algumas coisas a seu favor. “Não tenho filhos, carro, hipoteca ou qualquer coisa assim; então, tenho uma grana extra”, ele explica. “Por várias razões médicas, não bebo também; então, não saio muito. Sempre compro as passagens com antecedência e, na maioria das vezes, durmo no aeroporto. É mais barato. Minha viagem para a Índia e Dubai só durou quatro dias.”

O chefe de Fernando é um personagem-chave nessa obsessão: ele é relativamente flexível com as folgas e não liga muito quando Fernando chega ao trabalho diretamente do aeroporto. Mas está ficando difícil organizar essas viagens espontâneas: “Era muito mais fácil só escolher alguns dias, mas agora meu chefe quer que eu avise com muito mais antecedência quando vou sair para uma turnê”, disse Fernando.

Assista a nosso documentário sobre a igreja colombiana do metal:

Reprodução

Em todos esses anos, ele topou com seus heróis algumas vezes. Em Dublin, Fernando até tomou umas cervejas com Janick Gers, o guitarrista da banda. Mas ele geralmente prefere ficar na sua.

“Prefiro manter distância”, ele revela. “Não quero me desapontar, sabe?”

Fernando está felicíssimo que o vocalista Bruce Dickinson tenha se recuperado rapidamente de sua batalha recente contra o câncer, já que isso significa que ele deve voltar para o circuito de shows muito em breve.

“O dia em que ficar entediado num show, eu paro”, diz Fernando. Por enquanto, isso não parece estar nem perto de acontecer.

E a convivência com os colegas nem sempre é fácil também – alguns consideram Fernando meio louco. “Eles cresceram, casaram e tiveram filhos. Eu escolhi outro modo de vida”, ele pondera.

“Minha namorada é a única que realmente me entende”, ele acrescenta, explicando que o casal viaja junto sempre que pode e passa o tempo entre os shows conhecendo os pontos turísticos.

Segundo Fernando, esse nível de dedicação não é incomum entre os fãs do Maiden. “Conheço um suíço que já viu mais de 300 shows”, revela Fernando, claramente impressionado.

Tradução: Marina Schnoor

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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