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ESTREIA-Comédia romântica "Qualquer Gato Vira-Lata 2" repete a fórmula do filme anterior

SÃO PAULO (Reuters) – Pode até ser um problema estrutural do gênero comédia romântica, ou pode ser pura falta de discernimento de quem faz os filmes, mas “Qualquer Gato Vira-Lata 2” traz em si a mesma deficiência de “Divã a 2”, ou seja, a forma pouco generosa como trata as personagens femininas.

Tanto Eduarda (Vanessa Giácomo), do outro filme, como Tati (Cleo Pires), aqui, são mulheres cujas vidas são impulsionadas apenas pelo sonho do casamento ideal – como se isso existisse.

Escrito por Paulo Cursino e Bibi da Pieve, o novo filme é um amontoado de clichês do gênero com situações estapafúrdias, que não se encaixam direito no termo “comédia” e, às vezes, nem mesmo como “romântica”. “Qualquer Gato Vira-Lata 2” é apenas uma espécie de chanchada açucarada e previsível.

Tati e o professor Conrado (Malvino Salvador) estão juntos desde o fim do primeiro filme, e agora rumam para o Caribe, onde ele lançará seu livro, fruto de sua pesquisa, “Qualquer Gato Vira-Lata Tem Uma Vida Sexual Mais Sadia do Que a Nossa”.

Ela aproveitará a ocasião para pedi-lo em casamento – a maior ousadia concedida à moça –, acontecimento que será transmitido pela internet em tempo real para amigos e parentes no Brasil.

Enfim, para que o filme aconteça, eles precisam brigar e ficar os próximos 100 minutos do longa indo e vindo, para chegar ao final óbvio. Então, ele não aceita o pedido, pois “quer pensar melhor”.

Ela fica muito frustrada e resolve se separar, mas permanece no mesmo hotel, onde se dedica a provocá-lo, com a ajuda da ex-mulher do professor, Ângela (Rita Guedes) – que (surpresa!) o odeia e também está lançando um livro, “Qualquer Anta Entende Mais as Mulheres do que os Homens”.

Ao mesmo tempo, ao descobrir que Tati está solteira novamente, seu ex-namorado, Marcelo (Dudu Azevedo), vai até o México para tentar reconquistá-la. Leva seu amigo Magrão (Álamo Facó), cuja função no filme é causar um alívio cômico com Paula (Letícia Novaes), melhor amiga de Tati, e dona de alguns colares bastante peculiares.

Ângela, por sua vez, é feminista – e isso é um fato que devemos aceitar, só porque os personagens não param de repetir isso. Se fingirmos que é verdade, devemos questionar então, afinal, ela é caricata, mesquinha e, enfim, a vilã do filme.

Claro que ninguém espera profundidade ou discussão de questões socioantropológicas numa comédia romântica, mas um pouco de honestidade intelectual não faria mal. Ao seu modo, “Qualquer Gato Vira-Lata 2” só quer mesmo reforçar estereótipos de gênero – o macho tem que ser forte, a fêmea deve ser frágil e delicada e a feminista só o é porque não encontrou um homem que a ame de verdade.

Há também uma série de sequências muito estranhas envolvendo uma criança metida a sabichona, interpretada por Mel Maia, que fez sucesso na novela “Avenida Brasil”. Ela é Julia, garotinha que está hospedada com os pais no hotel onde estão todos os outros personagens.

Em troca de dinheiro, ela aceita passar-se como filha de Marcelo, para o ajudar a reconquistar Tati – afinal, na cabeça do rapaz, se ela quer se casar irá se sensibilizar ao descobrir que ele tomou juízo e tem uma filha. Mas onde estão os pais dessa garota que não percebem que a filha está sendo aliciada por um adulto? Enfim, tanto faz.

Dirigido por Roberto Santucci e Marcelo Antunez, essa sequência não fica devendo nada ao original. Está praticamente no mesmo nível, com suas personagens rasas. Já o elenco aparenta estar no piloto automático – embora Salvador pareça estar num outro filme, algo mais histriônico, com um humor que só ele deve estar enxergando. Não seria de se estranhar se levasse torta na cara em algum momento.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

Fonte: Bol.com.br

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