Fraca mobilização de pró-democratas em Hong Kong

Hong Kong, 14 Jun 2015 (AFP) – Apenas 2.000 pessoas responderam neste domingo em Hong Kong ao chamado do movimento pró-democracia para protestar antes da votação pelo parlamento local de uma reforma eleitoral no território autônomo.

No outono passado, dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra esta reforma, paralisando parte da cidade por dois meses antes de serem expulsos pela polícia.

Desde então, tem havido divergências dentro do “Movimento dos guarda-chuva”, entre aqueles que defendem o confronto e os demais que defendem o consenso.

“Queremos mostrar à opinião pública que nos reunimos. Queremos mostrar à comunidade internacional que a maioria rejeita uma democracia truncada”, declarou, antes do início da manifestação, Daisy Chan, porta-voz da organização Civil Human Rights Front.

Mas, sob um sol escaldante, com 30 graus à sombra e umidade de 80%, apenas cerca de 1.000 pessoas se reuniram na saída da manifestação, às 15H00 (04H00 de Brasília) no Parque Victoria, com destino à sede do Conselho Legislativo (LegCo), o parlamento de Hong Kong.

A multidão cresceu conforme se aproximava do LegCo, mas o fluxo estava longe de satisfazer as expectativas dos organizadores, que pensavam reunir até 50.000 manifestantes.

“Talvez as pessoas estejam cansadas, desorientadas”, sugeriu Johnson Yeung, da Civil Human Rights Front.

“Intromissão” de Pequim

O criticado plano de reforma prevê conceder o direito de voto a todos os habitantes de Hong Kong maiores de idade para a eleição do próximo presidente-executivo em 2017, enquanto atualmente cabe a uma comissão de 1.200 eleitores, em sua maioria pró-Pequim, nomear o novo representante.

O governo acredita que o projeto será um grande salto em prol da democracia na ex-colônia britânica, que retornou à China em 1997.

Mas os opositores criticam que Pequim continuará a se intrometer, pois apenas dois ou três candidatos, procedentes de um comitê leal ao Partido Comunista Chinês (PCC) , serão autorizados a se candidatar.

Os candidatos também deverão obter a aprovação prévia de Pequim, medida considerada inaceitável pelo movimento pró-democracia.

Para ser aprovada, a reforma deve receber os votos de dois terços da LegCo. São poucas as chances, portanto, que siga adiante, uma vez que os pró-democratas contam com mais de um terço dos assentos.

O texto começará a ser debatido a partir de quarta-feira e votado antes do final da próxima semana.

Os próprios cidadãos de Hong Kong estão muito divididos: de acordo com a última sondagem, uma maioria de 43% dos questionados se opõe a primeira reforma, enquanto 41,7% são favoráveis.

Uma vez que parece certo que a reforma não será bem-sucedida, o debate sobre o futuro político de Hong Kong seguirá sem solução, de acordo com analistas.

“Se os governos de Pequim e Hong Kong mantiverem a sua atitude hostil para com a oposição, será difícil para eles mudar a situação”, assegura Ma Ngok, professor associado da Universidade Chinesa.

at-dca-lm/jg/gab/pt/jvb/me.

Fonte: Bol.com.br

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