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Grécia deve agir se quiser acordo, diz presidente do Banco Central Europeu

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As ações começaram a sofrer pressão renovada em todo o planeta e os títulos dos governos alemão e norteamericano subiram em função da crescente preocupação quanto a um calote da Grécia nos pagamentos de dívidas que vencem em breve, o que influenciou o apetite por risco.

O nervosismo quanto à reunião do comitê monetário do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), nesta semana, que pode resultar novas indicações sobre a data de aumento dos juros norteamericanos, reforçou ainda mais a tensão nos mercados. O clima não foi ajudado por indicadores contraditórios sobre a economia dos Estados Unidos, que pouco ajudaram na avaliação das perspectivas econômicas.

Ao meio-dia, em Nova York, o índice de ações S&P 500 mostrava queda de 0,5%, cotado a 2.084 pontos —um movimento que o derrubou abaixo de sua média móvel para os últimos 100 dias e reduziu seu avanço até agora em 2015 a apenas 1,3%.

Do outro lado do Atlântico, o índice pan-europeu FTSE Eurofirst caiu em 1,5% e o Xetra Dax, de Frankfurt, recuou em 1,9%. As ações da Grécia despencaram em 4,7% e o rendimento sobre os títulos públicos do país com vencimento em 2017, que se move em sentido inverso ao preço, saltou em quase 3%.

Essas movimentações surgem depois do colapso de negociações de última hora —supostamente ao final de apenas 45 minutos— para um acordo que envolveria “dinheiro em troca de reformas”, entre os gregos e seus credores, e um subsequente endurecimento das posturas de ambos os lados.

“O foco agora mudará para a reunião do grupo do euro [de ministros das finanças da União Europeia], em 18 de junho, que representará a oportunidade final para evitar o calote grego em pagamentos de US$ 1,8 bilhão ao Fundo Monetário Internacional (FMI) com vencimento em junho”, apontou Nick Stamenkovic, estrategista macroeconômico da RIA Capital Markets.

Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), disse a um comitê do Parlamento Europeu que embora todas as partes envolvidas nas negociações precisassem “se esforçar além do limite”, a bola estava “claramente no campo do governo grego”, que precisa agir se deseja garantir um acordo.

Talvez a maior preocupação do mercado quanto a um calote grego se relacione às perspectivas para o euro, dado o risco de que o país abandone a moeda única.

“No presente, os dois possíveis cenários —um acordo ou uma saída grega— continuam plausíveis”, disse Lutz Karpowitz, estrategista de câmbio do Commerzbank.

“É claro que Atenas vem apontando regularmente que a saída da Grécia seria o começo do fim do euro. Por outro lado, existem defensores da saída grega que se recusam a ver qualquer perigo caso ela aconteça. Os dois pontos de vista são evidentemente simplistas”, ele acrescentou.

Por enquanto, porém, o euro se mantém bastante firme, caindo em apenas 0,2% diante do dólar, para US$ 1,1245, com ligeira recuperação ante cotação anterior de US$ 1,1190, no começo do dia. A moeda unificada europeia chegou até a subir diante do iene, para 138,82 ienes.

No entanto, indicações quanto ao senso de inquietude dos mercados surgiram com o salto da volatilidade implícita dos contratos de euro de 30 dias —um indicador que avalia os custos de hedge de transações cambiais— para sua mais alta marca em mais de três anos.

Os títulos dos chamados governos “periféricos” da zona do euro também sofreram pressão, com os rendimentos dos títulos espanhóis e portugueses de 10 anos subindo em 12 e 18 pontos básicos, respectivamente, para 2,38% e 3,22%.

“Poderíamos definir esse movimento como o efeito das preocupações quanto à saída grega sobre os preços, mas uma descrição melhor seria a de que os investidores estão simplesmente tirando dinheiro da mesa devido à incerteza”, disse Divyang Shah, estrategista mundial da IFR Markets.

“Houve uma perda de confiança de que terminará por surgir um acordo, já que tanto a Grécia quanto os credores mantiveram seus termos inegociáveis. Sem acordo, o maior foco passa a ser os pagamentos ao FMI e BCE”, ele disse. “Temos ouvido das agências de classificação de crédito que a Grécia não será definida como inadimplente caso não realize os pagamentos de 6,7 bilhões de euros devidos em julho e agosto”.

INCERTEZA

A incerteza quanto à Grécia ajudou a reforçar a demanda por títulos de dívida nacional da Alemanha e Estados Unidos, ainda que os rendimentos de ambos estivessem perto dos mais baixos do dia. O Bund de 10 anos alemão caiu em dois pontos básicos, para 0,83%, enquanto o título do Tesouro norte-americano do mesmo vencimento caiu em três pontos básicos, para 2,36%.

Uma queda de 0,2% na produção industrial dos Estados Unidos no mês passado e resultados fracos para a atividade industrial na região de Nova York oferecem um contraponto a dados divulgados na semana passada que apontam para uma recuperação na economia norte-americana depois de um primeiro trimestre fraco.

O ouro teve um dia instável, mas em geral cumpriu seu papel como refúgio em momentos de incerteza. O metal subiu em US$ 7, ou US$ 0,06%, para US$ 1.187 por onça troy.

O petróleo padrão Brent caiu em 2,3%, para US$ 62,40, antes do vencimento do contrato de julho, ao final do dia. Seu ágio com relação ao padrão West Texas Intermediate se estreitou para menos de US$ 3 por barril.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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