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Haddad deveria ter feito corredor de ônibus na Paulista, diz especialista

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Consultor em mobilidade e membro da Abraspe (Associação Brasileira de Pedestres), o engenheiro Horácio Augusto Figueira afirma que a Prefeitura de São Paulo não deveria ter feito uma ciclovia na avenida Paulista, região central da capital paulista.

“Os pedestres e transporte coletivo deveriam ter prioridade”, diz.

Para ele, a melhor solução seria construir um corredor de ônibus à esquerda, em vez da ciclovia, e mudar os semáforos para diminuir o tempo de espera dos pedestres ao atravessar a Paulista.

A via para ciclistas é importante, diz Figueira, mas poderia ser feita em ruas paralelas, tirando espaço apenas dos automóveis.

Inauguração da ciclovia na av. Paulista

Leia abaixo trechos da entrevista à Folha.

Folha – Qual é a sua avaliação da ciclovia na Avenida Paulista?
Horácio Figueira – Eu não teria feito ali. Eu teria feito na Alameda Santos, São Carlos do Pinhal [vias paralelas à Paulista], tirando espaço do automóvel daria para acomodar. Na Paulista eu teria feito corredor de ônibus à esquerda. Até porque ali, se passarem 100 ciclistas por hora, já é um sucesso. Se a gente falar que passam 5 mil pessoas por hora nos ônibus no horário de pico, então a bicicleta ali vai ser a minoria da demanda total. [Sem contar o metrô], o meio que mais transporta na avenida Paulista é o transporte a pé, depois vem o ônibus, as faixas de automóveis e depois vai vir a ciclovia. Houve uma inversão da lógica, pensando na coletividade. É bom que a bicicleta venha, mas não pode inverter. Prioridade é primeiro pedestre e o transporte coletivo.

Por que ônibus seria melhor ônibus à esquerda?
À esquerda, o corredor beneficiaria a maioria dos usuários da Paulista. O que eu beneficiaria? Toda a circulação de pedestres na Paulista onde tempo de verde é pequeno e de espera é muito grande, as pessoas acabam atravessando no vermelho. É só ir na esquina da Paulista com a Augusta para ver, chegam a ficar 100, 200 pessoas [para atravessar], esperando para virar meia dúzia de carros. É ridículo. O semáforo da Paulista seria separado em duas fases: uma fase para o ônibus e duas faixas centrais de automóveis [à esquerda]. A do ônibus teria tempo de verde maior [melhorando o fluxo do transporte coletivo, que quando está do lado direito, como acontece hoje, perde velocidade devido aos cruzamentos]. Para a conversão [à direita] eu deixaria 20, 30 segundos, e o restante do tempo ficaria verde para o pedestre. Os carros ficariam numa fila de espera.

Como conciliar pedestres fazendo a travessia e bicicletas no canteiro central?
É um caso diferente onde você tem muito mais pedestre. Se tiver 200 pedestres querendo atravessar por minuto, é capaz de ter duas, três, quatro bicicletas. As bicicletas vão ter que esperar, com certeza. Quando é muita gente, os pedestres param até caminhão. Ali na Paulista quando falaram que iam fazer ciclovia ali aquilo me incomodou. A bicicleta no futuro vai representar quantos porcento da demanda da cidade? A da Paulista vai ser a ciclovia de maior movimento na cidade, é emblemático, mas se for contar não isso não representa 1% dos pedestres que estão na calçada.

CICLOVIA NA PAULISTA

Inaugurada neste domingo (28) com 2,7 km, a ciclovia da avenida Paulista, na região central de São Paulo, se estende da praça Oswaldo Cruz (Paraíso) à Consolação. Com isso, a gestão Fernando Haddad (PT) atinge a marca de 334,9 km de vias exclusivas para bicicletas em toda a capital paulista.

Na altura da rua Haddock Lobo, já no final da via, com o término do canteiro central, ela continua na faixa da esquerda até a rua da Consolação e segue à direita entre a Consolação e a avenida Angélica.

Se os ciclistas comemoram porque vão trafegar com mais conforto e segurança pelo tapete vermelho, há temor de que falte espaço para acomodar os mais de 1,5 milhão de pedestres que circulam diariamente pela avenida.

A questão divide a opinião de especialistas em engenharia de tráfego. Alguns afirmam que o desenho da pista causa risco de o pedestre ser “espremido” no canteiro central da Paulista se houver trânsito intenso de bicicletas. Outros dizem que a programação dos semáforos da avenida dá ao pedestre tempo suficiente para atravessar e o espaço das “ilhas” criadas no canteiro central será suficiente para acomodar a todos.

A inauguração da ciclovia é vista também como um teste para o projeto de fechar a via para automóveis todos os domingos.

O plano, ainda em estudo, seria transformar o principal cartão postal de São Paulo numa espécie de praça a céu aberto, onde usuários de bicicletas, skates, patins e pedestres iriam se misturar aos artistas de rua que se apresentam por ali.

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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