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'Jurassic Park', de Michael Crichton, ganha nova edição


17/06/2015

10h41


da Livraria da Folha

Quando uma impressionante técnica de recuperação de clonagem de DNA de seres pré-históricos é descoberta, uma das maiores fantasias da mente humana finalmente vira realidade: ver criaturas extintas de perto. O local escolhido é um parque temático em uma ilha remota da Costa Rica – até que algo sai do controle. Seria a convivência entre humanos e dinossauros possível?

Em “Jurassic Park”, Michael Crichton aborda questões de bioética e a teoria do caos ao mesmo tempo em que constrói uma narrativa em que os personagens lutam pela sobrevivência. Esgotado há anos, o livro chega às livrarias em nova edição pela editora Aleph, que inclui uma entrevista concedida pelo autor para a revista “Cinefantastique”.

O livro inspirou o filme de 1993, dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Sam Neill, Laura Dern e Jeff Goldblum.

Nascido em Chicago, nos EUA, em 1942, Michael Crichton publicou seu primeiro texto no “The New York Times” aos 14 anos. Estudou medicina em Harvard e antropologia em Cambridge. Criou a série de TV “ER – Plantão Médico”.

Abaixo, leia um trecho de “Jurassic Park”.

Jurassic Park 3D

*

A chuva tropical caía em camadas encharcadas, martelando o teto enrugado do prédio da clínica, rugindo ao descer pelas calhas metálicas, salpicando no chão em uma torrente. Roberta Carter suspirou e olhou para fora pela janela. Da clínica, mal podia ver a praia ou o mar logo além, escondidos em uma neblina baixa. Isso não era o que ela esperava quando veio à vila de pescadores de Bahía Anasco, no oeste da Costa Rica, para passar dois meses como médica visitante. Bobbie Carter esperava sol e relaxamento depois de dois extenuantes anos de residência em medicina de emergência no Michael Reese, em Chicago.

Ela já estava na Bahía Anasco há três semanas. E tinha chovido todos os dias.

Todo o restante era ótimo. Ela gostava do isolamento da Bahía Anasco e da simpatia dos habitantes. A Costa Rica tinha um dos vinte melhores sistemas de saúde no mundo, e mesmo nesse remoto vilarejo litorâneo, a clínica era bem-conservada e dispunha de amplos suprimentos. O paramédico do local, Manuel Aragón, era inteligente e bem-treinado. Bobbie podia atender os pacientes da mesma forma que fizera em Chicago.

Mas a chuva! A chuva constante, inacabável!

Do outro lado da sala de exames, Manuel inclinou a cabeça.

– Ouça – disse ele.

– Acredite, estou escutando – respondeu Bobbie.

– Não. Ouça.

E então ela escutou outro som misturado ao da chuva, um rumor mais grave que se ampliou e emergiu até fi car claro: a batida rítmica de um helicóptero. Ela pensou: Eles não podem estar voando em um tempo desses.

Mas o som aumentou gradualmente, e então o helicóptero irrompeu, baixo, através da neblina oceânica. Rugiu lá no alto, circulou e retornou. Ela viu o helicóptero voltar para cima da água, perto dos barcos de pesca, depois se aproximar pela lateral da instável doca de madeira e voltar para a praia.

Estava procurando um lugar onde pousar.

Era um Sikorsky de barriga grande, com uma faixa azul na lateral e as palavras “InGen Construction”. Aquele era o nome da construtora que estava fazendo um novo resort em uma das ilhas próximas. Diziam que o resort era espetacular e bastante complicado; várias pessoas da região estavam trabalhando na construção, cujas obras já duravam mais de dois anos. Bobbie podia imaginá-lo – um daqueles imensos resorts americanos com piscinas e quadras de tênis, onde os hóspedes podiam se divertir e tomar seus daiquiris sem ter nenhum contato com a vida real do país.

Ela imaginou o que seria tão urgente naquela ilha para que o helicóptero precisasse voar com essa chuva. Através do para-brisa, ela viu o piloto exalar, aliviado, quando pousou na areia molhada da praia. Homens uniformizados saltaram para fora e abriram a grande porta lateral. Ela ouviu gritos frenéticos em espanhol e Manuel a cutucou.

Eles estavam chamando por um médico.

Dois tripulantes negros carregaram um corpo flácido até ela, enquanto um homem branco gritava ordens. O homem usava uma capa de chuva amarela. Cabelo ruivo aparecia ao redor das bordas de seu boné de beisebol do Mets.

– Tem algum médico aqui? – perguntou para ela quando Bobbie se aproximou correndo.

– Eu sou a dra. Carter – respondeu ela. A chuva caía em gotas pesadas, batendo em sua cabeça e seus ombros. O homem ruivo olhou para ela com uma expressão séria. Bobbie estava vestindo um short jeans e uma regata. Tinha um estetoscópio sobre o ombro, a campânula já enferrujada pela maresia.

– Ed Regis. Temos um homem muito doente aqui, doutora.

– Então é melhor levá-lo para San José – disse ela. San José era a capital, a apenas vinte minutos de distância pelo ar.

– Íamos levá-lo, mas não conseguimos passar pelas montanhas com esse tempo. Você vai ter que tratá-lo aqui.

Bobbie caminhou rapidamente ao lado do ferido enquanto o carregavam para a clínica. Ele era uma criança, não tinha mais que dezoito anos. Erguendo a camisa empapada de sangue, ela viu um talho grande ao longo do ombro e outro na perna.

O que aconteceu com ele?

– Acidente na construção – gritou Ed. – Ele caiu. Uma das escavadeiras passou por cima dele.

O menino estava pálido, tremendo, inconsciente.

Manuel estava de pé ao lado da porta verde gritante da clínica, acenando com o braço. Os homens trouxeram o paciente por ali e o colocaram na mesa no centro da sala. Manuel começou a preparar uma entrada intravenosa e Bobbie focou o ponto de luz em cima do garoto, inclinando-se para examinar os ferimentos. Imediatamente, pôde ver que aquilo não parecia nada bom. Era quase certo que o garoto morreria.

Uma grande laceração rasgava desde o ombro até o torso. Nas bordas da ferida, a carne estava dilacerada. No centro, o ombro estava deslocado, os pálidos ossos expostos. Um segundo corte atravessava os pesados músculos da coxa, fundo o bastante para revelar a pulsação da artéria femoral logo abaixo. Sua primeira impressão foi de que a perna dele havia
sido partida em duas.

– Conte-me de novo sobre esses ferimentos – pediu Bobbie.

– Eu não vi – disse Ed. – Eles falaram que a escavadeira o arrastou.

– É quase como se ele tivesse sido atacado por um animal – disse Bobbie Carter, cutucando a ferida. Como a maioria dos médicos de emergência, ela podia se lembrar em detalhe dos pacientes que atendera mesmo anos antes. Ela tinha visto dois ataques de animais. Um foi uma criança de dois anos, atacada por um rottweiler. O outro tinha sido um espectador de circo, bêbado, que teve uma reunião com um tigre-de-bengala. Em ambos, os ferimentos eram similares. O ataque de um animal tem uma aparência diferente dos demais ferimentos.

[…]

*

JURASSIC PARK
AUTOR Michael Crichton
EDITORA Editora Aleph
QUANTO R$ 43,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.


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Fonte: Folha de São Paulo
www.folha.com.br

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